Movelpar pode reabilitar pólo moveleiro
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segunda-feira, 02 de abril de 2001
De Londrina 
O presidente do Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas Sima, Sebastião Antonio Batista, disse ontem que os problemas que afetam a economia brasileira extrapolam fronteiras e atingem diretamente o setor. O pólo moveleiro do Norte do Paraná, com cerca de 450 indústrias, é o segundo maior do País em faturamento e sente os reflexos da retração, conforme reportagem publicada ontem pela Folha mostrando o número recorde de demissões de trabalhadores este ano 10% da mão-de-obra foi dispensada em Arapongas, o principal pólo de produção.
No ano passado, a comercialização foi de R$ 650 milhões. Só na cidade de Arapongas, com 142 indústrias moveleiras, o faturamento chegou a R$ 520 milhões, 8,34% a mais do que em 1999, quando a indústria de móveis na cidade faturou R$ 480 milhões. A previsão de faturamento das indústrias para este ano, anunciada no final do ano passado, era de crescimento de 12%, baseada na perspectiva de retomada da economia brasileira. Mas, no primeiro semestre, as perspectivas de vendas no setor moveleiro no Nnorte do Paraná não se confirmaram.
Batista lembra, no entanto, que a principal feira do setor a Movelpar , que este ano será realizada de 24 a 28 próximos no Expoara, em Arapongas, marca o início do ano moveleiro no Brasil. Os lojistas estão aguardando a feira para comprar as novidades. Isso acaba adiando as vendas nesse primeiro trimestre. São 80 mil lojistas que virão ao evento conferir o que as 300 indústrias presentes estão trazendo de lançamento. A nossa perspectiva é que a Movelpar movimente cerca de R$ 245 milhões em vendas em pedidos que acontecerão na feira e no pós-feira, salienta Batista.
Segundo ele, com a retomada das vendas que deve se concretizar após a Movelpar, as demissões ocorridas até agora poderão ser revistas, já que o aumento da produção requer mais mão-de-obra. Estamos passando por uma fase contornável. Vamos aguardar a feira para que possamos projetar o comportamento do setor moveleiro durante o ano de 2001, conclui.
Outros pontos positivos que devem influenciar no crescimento do setor em 2001 são a instalação da Usina de Reciclagem de Lixo e a construção do Centro Tecnológico da Madeira e da Mobília em Arapongas. Esses projetos vão agregar valores para que o pólo tenha um desenvolvimento sustentado, explica Batista.
A reciclagem do resíduo industrial moveleiro vai garantir mais tranquilidade para a produção. Com um local adequado para o depósito do lixo, o empresário trabalha com tranquilidade, sem a cobrança de órgãos ambientais, e pode se preparar para obter as certificações de qualidade, enfatiza. A meta é reaproveitar 90% dos materiais. O custo do projeto está estimado em R$ 1,5 milhão que serão pagos pelas próprias indústrias do pólo em sistema de consórcio.
O Centro de Tecnologia da Madeira e Mobília vai atender à necessidade de capacitação de mão-de-obra para a região, além de trabalhar com pesquisa e desenvolvimento de materiais e novas tecnologias. No final do ano passado, o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) liberou a fundo perdido para o Proep (Programa de Expansão do Ensino Profissionalizante), do Governo Federal, a quantia de R$ 2,125 milhões destinados à construção do Centro. A Prefeitura de Arapongas doou o terreno com extensão de 15 mil metros quadrados.


