Movelpar movimenta comércio regional
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terça-feira, 04 de março de 1997
Bete Fagundes 
Marcos BorgesEmpreendimentoO Centro de Convenções do Sumatra, em Londrina: quase pronto para sediar realizaçõesTodos os hotéis de Londrina, Rolândia, Arapongas, Apucarana e Mandaguari estão lotados. O Deville de Maringá também, entre outros. A ocupação média ao longo do trecho fica entre 5.000 e 5.500 pessoas/dia. Pelo menos 4.000 em Londrina, pagando em torno de R$ 80,00 a diária.
Tudo isso - e muito mais - porque os moveleiros de Arapongas construíram um espaço para eventos e realizam a primeira grande feira do setor, a Movelpar 97. Em outras proporções, é o que o empresário Paulo Muniz quer oferecer a Londrina, inaugurando no dia 20 de abril o Centro Cultural e de Convenções do Hotel Sumatra - propriedade do seu grupo. Já no período de 23 a 26 de abril haverá no local um congresso nacional de cardiologia que deve trazer no mínimo 1.000 pessoas para a cidade.
O turismo de feiras e eventos tanto dá resultado que até os shoppings de Londrina, restaurantes, locadoras de veículos e frota de táxi faturam alto com o que acontece hoje em Arapongas. Já procuramos e não encontramos mais nenhum carro para alugar, tipo perua, comenta Valentin Aparecido Martins, da agência Ilha do Mel. Com cinco anos de atuação na área de eventos, é ele quem está acomodando o visitante da feira em hotéis e pensões da região. Pelo menos 15 mil pessoas devem passar por esse evento, calcula.
Martins explica que um acontecimento como esse, de nível nacional (com a presença de grupos do Mercosul), repercute naturalmente na região e beneficia a todos. Mas a simples realização de um congresso, por exemplo, também pode dar excelentes resultados, mesmo que para um pequeno grupo ou segmento. Só o fato de segurar o visitante por um curto período já é importante, economicamente falando.
O que Arapongas está fazendo, é o que Londrina deveria fazer, afirma Martins. Ficar na dependência do poder público não leva a nada; o que vemos lá é a prova de que quando a iniciativa privada quer, e se organiza, a coisa acontece. Ele sabe que Londrina reivindica há anos um centro de eventos que nunca saiu do papel. Também sabe que o pacote de eventos vem crescendo na cidade, mas ainda está longe do tamanho ideal. Potencial para tanto, existe.
Marcos BorgesCasa cheiaEm Londrina, cerca de 4 mil hospedagens por dia
Newton Sborgi concorda em gênero e número com o agente de viagem. Presidente do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares, Sborgi diz que Londrina deve fazer essa prestação de serviço. E tem condições - privilegiadas - de gerar eventos como a Movelpar, que lotam até mesmo os hotéis não classificados de cidades que ficam a quilômetros de distância.
Quem podeSborgi cita as fontes que hoje movimentam Londrina e podem movimentar ainda mais: O autódromo, a Universidade e instituições como Iapar e Embrapa, que criam eventos; o Centro de Convenções do Sumatra, que vai alimentar o segmento em geral; a Codel (Companhia de Desenvolvimento), que agora tem um departamento de turismo e projetos em andamento; somos privilegiados. Ainda faz parte da lista a Sociedade Rural do Paraná, com a Exposição Agropecuária e Industrial.
Gerente de Operações do Hotel Bourbon, Gilberto Simioni também vê condições privilegiadas em Londrina para fomentar o turismo de feiras e eventos. Ele só não vê um movimento que, como o de Arapongas, partiu para a prática. Não adianta ser cabeça de sardinha; quero ser rabo de tubarão, brinca Simioni, falando da necessidade de Londrina desenvolver com urgência o seu segmento, apostar na sua capacidade de atrair visitantes e lucrar.
Sem a Movelpar, um hotel como o Crystal, que tem uma clientela fiel, estaria hoje com uma ocupação de 60% no máximo.


