Indústrias moveleiras de Arapongas esperam exportar, até o final do ano, R$ 500 mil para a América Central, graças à criação de um consórcio para fortalecimento do comércio exterior do pólo industrial do Norte do Paraná. O Conex, como foi batizado o projeto que conta com apoio do Sindicato da Indústria Moveleira de Arapongas (Sima), reúne 19 empresas e deve facilitar a entrada em novos mercados, assim como a intensificação de negócios em países já compradores.
O pólo moveleiro de Arapongas, com cerca de 160 indústrias, movimenta anualmente R$ 600 milhões, dos quais US$ 26 milhões são fruto de vendas ao exterior. Com a criação do Conex, as 19 fábricas participantes terão facilidades logísticas e mercadológicas para as exportações. ''Já estamos treinando pessoal, promovendo pesquisas técnicas e visita de compradores em potencial para que o fluxo de mercadorias seja ampliado'', explica o diretor do Conex, Rajanand Costa.
O projeto Conex prevê investimentos de R$ 3 milhões nos próximos três anos, direcionados principalmente para a criação de células de comércio em cada país da América Central. De abril até setembro deste ano, o Conex fez um levantamento econômico e geográfico do continente, levantando uma série de relatórios sobre PIB, demanda, tipo de móveis consumido, perfil do consumidor e preço praticado. ''Com essas informações, também descobrimos que o potencial de compra dos países da América Central é duas vezes maior do que esperávamos''.
''Outra vantagem trazida pelo consórcio é que todas as empresas vão mandar produtos para o exterior por meio de uma via única'', explica Costa. Esse recurso vai permitir para os compradores a encomenda de apenas um item determinado, sem a necessidade de cotas mínimas.
Praticamente a metade das empresas que formam o consórcio nunca exportaram. É o caso da Albatroz, que emprega 80 funcionários e fatura R$ 8 milhões anuais. Para o gerente de compra e vendas da empresa, Eduardo Paludeto, a iniciativa vai diminuir custos e demanda burocrática das exportações. ''Como somos uma empresa de porte médio, não temos grande poder de negociação no exterior. Com o Conex esse cenário muda bastante''. Paludeto acredita que as exportações devam participar inicialmente com até 10% do faturamento da Albatroz. ''Mas nossa meta é que esse número chegue aos 30%''
E apesar de já contar com experiência no comércio exterior, a Somopar também vai contar com a ajuda do Conex para vencer as dificuldades da empreitada. ''É um trabalho muito bem estruturado e que deve criar muitas facildades, principalmente relativas à burocracia para as exportações'', afirma Washington Vicentini, analista de sistemas e métodos da empresa.
Além de colaborar com o aumento do faturamento, a intensificação das exportações deve favorecer a modernização da linha industrial do pólo moveleiro. Segundo dados do Sima, 30% da capacidade de produção das indústrias da região está ociosa. A produção destinada à América Central deve ocupar, aos poucos, essa capacidade. Depois da América Central, os próximos objetivos do Conex são a África, Oriente Médio e Leste Europeu.

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