Depois de um ano com vendas fracas, a produção no polo moveleiro de Arapongas (37 km a oeste de Londrina) começou a reagir neste último trimestre. Apesar da reação, o segmento deve fechar o ano com retração de 5% com relação ao ano passado, segundo projeções do Sindicato da Indústria Moveleira de Arapongas (Sima). Uma combinação de fatores como a crise econômica mundial, que provocou redução nas exportações; a valorização do real perante o dólar; e a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para o segmento da ''linha branca'', que teria contribuído para uma queda das vendas de móveis no mercado interno seriam os responsáveis pelo fraco desempenho do setor.
De acordo com dados do Sima, as indústrias trabalham atualmente com cerca de 75% da capacidade instalada, enquanto para o período o índice esperado era próximo aos 100%. ''Tivemos uma queda muito forte nas vendas no início do ano, que já costuma ser pior para a indústria em comparação com o segundo semestre'', afirma Nelson Poliseli, presidente do Sima. Ainda assim, o desempenho registrado em Arapongas ainda é superior à média nacional, que foi 71,8% no mês passado, segundo levantamento da Sondagem da Indústria de Transformação, divulgado pela Fundação Getúlio Vargas. O índice está abaixo da média geral da indústria de transformação, que é de 82%.
Para driblar a crise ao longo do ano, os empresários negociaram acordos com fornecedores e evitaram novas contratações. Além disso, estão trabalhando conforme a demanda e em horários em que o custo de produção é menor. ''O segundo semestre é sempre responsável pela maior demanda nas indústrias moveleiras e o setor está se recuperando, as vendas melhoraram agora no final do ano'', avalia Poliseli. Por isso, a expectativa do setor para o próximo ano é otimista. O Sima projeta um crescimento de 10% na produção em relação a 2009. ''A crise acabou, a economia do país está estável e os financiamentos para a indústria estão aumentando'', justifica.
Vendas
A Móveis Rhema (que produz móveis para salas), por exemplo, registrou um aumento nas vendas em outubro de cerca de 40% com relação aos meses anteriores. ''Até o momento, as vendas desse período estão muito parecidas com as de 2008. Não houve queda'', diz o assistente comercial Rodrigo Gomes. Algumas empresas do polo conseguiram até mesmo aproveitar o ano de crise para crescer. É o caso da Moval (fabricante de móveis para dormitórios), que programou a compra de maquinários para aumentar em 50% a produção. ''Estabelecemos esse objetivo antes da crise econômica começar e, mesmo assim, conseguimos alcançá-lo'', diz Frank Côrte, gerente de Marketing e Design.
''Produzimos 36 mil roupeiros por mês e estamos vendendo todos. A produção em relação ao ano passado se manteve, não houve queda'', afirma Côrte. Para ele, algumas indústrias do polo tiveram problemas, porque são menores, com poucos fornecedores e, por isso, ocorreram algumas demissões. ''Esse impacto foi pontual. A crise foi resolvida a tempo'', acredita. Arapongas concentra o 2º maior polo moveleiro do país. São 199 indústrias de móveis que empregam quase 9 mil pessoas.

mockup