Moveleiros adotam código de barras para atender mercado
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de julho de 1997
Bete Fagundes Londrina 
Os moveleiros de Arapongas, e outros do Sul do País, começam a adotar o código de barras para atender a uma exigência de mercado e acabar definitivamente com o problema das montadoras de móveis, que recebem peças erradas ou até nem recebem uma ou outra peça, por puro esquecimento do fabricante. O sistema é da Ean Brasil - Associação Brasileira de Automação Comercial, entidade responsável pela numeração e implantação do código de barras no País.
É complicado montar um móvel no Brasil, usando peças produzidas por diferentes fabricantes. O consumidor sabe disso. É ele que recebe em casa portas trocadas, gavetas sem laterais e até armários sem fundo. Irritado, o consumidor culpa a loja, que culpa a falta de entrosamento com os fabricantes. Parece que agora o problema pode ser resolvido de forma simples e eficiente.
Marcelo Azevedo, gerente-técnico da Ean Brasil, explica que através do código de barras é possível controlar minuciosamente os processos de armazenagem, separação de peças e expedição, garantindo assim mais qualidade e reduzindo muito a margem de erro. Se a globalização exige uma linguagem comum, o código de barras, por ser internacional, é o único que faz a identificação precisa de mercadorias.
O presidente do Sindicato dos Moveleiros de Arapongas, Adriano Romera, não só reconhece a eficiência do sistema como fala da obrigatoriedade da adoção. Se não temos o código de barras, perdemos mercado; alguns revendedores simplesmente não aceitam mais a produção. Alcides Livrari, da Móveis Simbal, reforça este ponto dizendo que a implantação é inadiável, principalmente em relação ao mercado externo.
As indústrias do setor querem, e precisam, controlar tudo pelo código de barras, mas ainda são poucas que deram início à implantação, observa Livrari. A Simbal - que exporta muito para a França e Mercosul -, a Madesa e a Móveis Rudmick fazem parte do grupo de empresas do Sul que preparam-se para a adoção.
O volume de recursos para implantação não é fator limitante, pelo que conta o técnico da Ean Brasil. O custo depende do porte da empresa e da natureza do projeto, que pode ser de adaptação de sistemas, incorporando códigos internacionais; ou de adoção de impressoras automáticas, ou a laser - o custo médio, enfim, fica em torno de R$ 5 mil. Adriano Romera acredita, inclusive, que a parte mais difícil da implantação é o treinamento da mão-de-obra. A automatização pode derrubar pela metade o tempo que se gasta na separação das peças de um armário, por exemplo.


