Móveis feitos com perobas submersas em rios do PR
O stand de Ademir Tizo, sócio-proprietário da Movepar, empresa de Paranavaí, é um dos mais movimentados da 49 Exposição de Londrina. Ele vende móveis rústicos feitos de peroba rosa, árvore que fora muito abundante no Norte do Paraná antes do rápido e intenso processo de colonização que aconteceu no início do século 20. Há 10 anos participando da feira, ele conta que nunca vendeu tanto quanto nesta feita. Suas peças variam de R$ 400, caso de uma mesa simples para churrasco, até R$ 25 mil, valor de uma mesa de 7,5 metros capaz de servir a 36 pessoas de uma só vez.
Além da beleza e da qualidade das peças de Tizo, chama a atenção a maneira como ele consegue sua matéria-prima. Ele não derruba uma árvore, só utiliza aquelas que, naturalmente, caíram. ''O cidadão que tem uma peroba caída dentro de sua propriedade me avisa. Aqui na Exposição de Londrina, além de vender bem também descubro muitas árvores caídas. Daí, compro e recolho a árvore. Mesmo assim tenho que preencher uma série de documentos para me adequar à legislação ambiental, pois se trata de madeira nativa'', explica.
Porém, ultimamente ele tem lançado mão de um outro método para conseguir a madeira. Descobriu que alguns rios paranaenses - os quais ele não revela o nome de forma nenhuma - guardam um grande tesouro em suas profundezas: perobas. ''Há cinquenta anos era comum o transporte de madeira pelos nossos rios. Alguns troncos afundaram a estão submersos até hoje. É como se eu tivesse encontrado ouro'', explica.
Mergulhadores vão até as profundezas, localizam a madeira, prendem cabos de aço aos troncos e um guindaste instalado em uma balsa traz o ''tesouro'' até a superfície. ''São relíquias do Paraná escondidas no fundo das águas. Acho que somos os únicos do mundo que trabalhamos com esse tipo de madeira. De certa forma, nosso material é uma raridade, o que a ajuda a aumentar o valor dos produtos'', comenta o empresário. Mas, na água, as madeiras não apodrecem? ''Pelo contrário. Fica cada vez melhor'', responde Tizo, mostrando uma mesa enorme feita com peroba retirada do rio. (W.S.)





