Móveis brasileiros conquistam importadores
PUBLICAÇÃO
sábado, 06 de março de 2004
Candice Dequech<br> Equipe da Folha 
Bom, bonito e barato
Curitiba - O móvel brasileiro vem conquistando espaço no mercado externo, principalmente no norte-americano, por agregar qualidade, design e acabamento, melhorados nos últimos anos; e preço, bastante competitivo se comparado ao mercado europeu. Segundo Robson Oliveira, presidente da Terra do Brazil, empresa que representa 15 empresas brasileiras nos Estados Unidos, o Brasil aumentou em 40% a exportação de móveis de 2002 para 2003. No ano passado, as exportações chegaram a US$ 250 milhões. A Associação Brasileira da Indústria do Mobiliário (Abimóvel) espera crescimento de 40% nas exportações brasileiras para este ano, e, em quatro anos, o volume das exportações deve chegar a US$ 1 bilhão.
A expansão das exportações trouxe compradores e jornalistas americanos ao Brasil, interessados em conhecer de perto as fábricas e shoppings de decoração. Ontem, cerca de 15 americanos estiveram em Curitiba visitando três empresas, a DellAnno, a Flexiv e a Ronconi. ''Fiquei impressionada com a qualidade e design dos móveis, além do preço. São maravilhosos'', disse a italiana, que mora em Miami, Simona Ciancetta. Ela tem uma rede de distribuição de móveis em Miami e na Itália, onde tem show-rooms com móveis brasileiros.
''É impressionante a qualidade e estilo dos móveis. São muito contemporâneos. Não imaginávamos isso. Podem, perfeitamente, competir com os europeus, pois agregam todas as qualidades que estes oferecem, aliado a preço mais competitivo'', disse a jornalista Andrea Codrington, que escreve para o jornal The New York Times. Segundo ela, os americanos têm um conceito errado sobre os móveis brasileiros. ''Eles imaginam móveis artesanais, indígenas, de baixa qualidade. Não é verdade. Aqui existem muitos designers renomados, e móveis maravilhosos.''
Para Robson Oliveira, a visita significa uma mudança importante na forma de exportar até então adotada pelos brasileiros. ''O inédito contato direto com compradores que, juntos, somam um potencial de compra superior a US$ 800 milhões por ano, é um bom sinal para a indústria de móveis do Brasil'', disse. Segundo ele, além da alta do euro em relação ao dólar, outro fator que tem favorecido as exportações de móveis do Brasil para os Estados Unidos, é o crescimento do gosto pelo estilo contemporâneo.


