Move Brasil anima revendedores e motoristas profissionais
Programa federal que facilita compra de carro para taxistas e motoristas de aplicativo deve aquecer o mercado
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 22 de maio de 2026
Programa federal que facilita compra de carro para taxistas e motoristas de aplicativo deve aquecer o mercado

Revendedores de automóveis e motoristas profissionais estão animados, porém ainda cautelosos em relação ao programa Move Brasil Táxi e Aplicativos, lançado nesta semana pelo governo federal para estimular a aquisição de veículos novos. Enquanto as concessionárias esperam o detalhamento de como o programa irá funcionar, taxistas e motoristas de carros de aplicativo fazem os cálculos para avaliar se as condições anunciadas são realmente vantajosas.
A Medida Provisória que destina até R$ 30 bilhões em crédito foi assinada na última terça-feira (19) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Conforme o que foi divulgado até agora, o programa quer incentivar a compra de automóveis zero quilômetro e sustentáveis, a manutenção e a formação de capital de giro mediante a oferta de juros subsidiados, com diferenciação de taxas entre homens e mulheres.
A Selic hoje é de 14,5% ao ano. Por meio do programa, os juros foram fixados em 12,6% ao ano para homens e em 11,5% ao ano para mulheres. Ao mês, os percentuais são 0,99% e 0,91%, respectivamente. O prazo para quitar o financiamento será de até 72 meses. Para o público feminino, haverá ainda a possibilidade de financiar equipamentos adicionais de segurança.
As regras valem para a compra de veículos flex, híbridos flex, elétricos ou movidos exclusivamente a etanol, com preço máximo de R$ 150 mil. As montadoras deverão estar habilitadas para que a revenda seja negociada dentro do programa, mas a lista inclui boa parte das principais marcas à venda no país: Volkswagen, Fiat, Renault, GM, Honda, Hyundai, Nissan, Peugeot, Toyota, BMW, BYD e GWM.
A Renault tem em sua linha de veículos três modelos flex com valor de até R$ 150 mil. O mais barato e bastante requisitado por motoristas de aplicativo é o Kwid, que já tem taxas mais baixas por se enquadrar na lei do IPI zero. O modelo sai a partir de R$ 68,9 mil. O gerente comercial da Renault Barigui em Londrina, Jovancir Junior, considerou positiva a MP editada pelo governo federal, mas ainda aguarda os esclarecimentos sobre o processo de liberação de crédito. “Ainda não sabemos qual é o critério de elegibilidade de aprovação de cadastro. No nosso caso, se for proporcionalmente ao que hoje o cliente consegue de crédito, vai ser excelente porque vai facilitar muito para o cliente comprar um carro que nós já vendemos com uma taxa mais baixa. Mas se essa linha de financiamento liberar indistintamente os R$ 150 mil para o cliente comprar o carro que ele quiser, obviamente ele vai procurar carros mais caros. Essa é a nossa principal dúvida.”
Em Londrina, há cerca de 3 mil motoristas de aplicativo cadastrados nas plataformas e 277 taxistas em atividade. Segundo o gerente comercial da concessionária Renault, o mercado está aquecido, especialmente as vendas do modelo Kwid, mas um obstáculo à expansão das vendas é a dificuldade na obtenção de crédito. “De cem clientes que tentam a liberação na semana, só dez são aprovados. Se os critérios forem mantidos na Medida Provisória, não vai impactar tanto nas vendas. Tem que ter uma facilidade também na aprovação do cadastro.”
Renata Pucci trabalha como taxista em Londrina há 14 anos e há dez anos exerce a atividade com veículo próprio. Extremamente organizada com as finanças, todos os meses ela separa o dinheiro das despesas e do lazer e ainda reserva uma parte para pagar a substituição do veículo a cada dois anos. A próxima troca está planejada para abril de 2027.
Atualmente, Pucci utiliza um carro flex, bastante econômico, mas o sonho é ter um veículo sedan híbrido, que além de mais confortável, traria uma boa redução nos gastos com combustível. Mas antes de se empolgar com as taxas de juros mais baixas e assumir um financiamento, a taxista afirma que é fundamental calcular todas as entradas e saídas de dinheiro para não ficar “no vermelho”.
Pucci ponderou que embora as corridas de táxi remunerem melhor do que as de carro de aplicativo, a demanda é menor e ainda há que se considerar a sazonalidade. Historicamente, os meses de julho, dezembro, janeiro e fevereiro têm queda no volume de passageiros e tudo isso deve ser avaliado antes de contrair uma dívida, afirmou a taxista “Eu teria que fazer bem as contas para ver se o que eu rodo vai pagar meu financiamento, minhas despesas e se vai sobrar para eu poder fazer meu caixa para despesas extras e para trocar de carro. Se for viável, por que não?”, comentou. “Mas se eu for pagar um juro que me deixe no vermelho, aí não compensa porque hoje eu trabalho com meu carro já pago.”
Regras do programa
Para participar do programa, os motoristas de aplicativo devem ter cadastro ativo há pelo menos 12 meses e terem realizado, no período, a quantidade mínima de cem corridas pela mesma plataforma. Já os taxistas devem estar com as licenças e os registros ativos junto aos órgãos de trânsito e com regularidade fiscal.
A solicitação do financiamento deve ser feita diretamente na página Move Brasil. Para motoristas de aplicativo, a confirmação de aptidão será dada pela própria plataforma para a qual ele trabalha. No caso dos taxistas, a validação será feita pela Receita Federal a partir dos dados da pessoa no próprio gov.br.
Em até cinco dias úteis após o pedido, o motorista deverá receber, via caixa postal do Gov.br, uma resposta sobre se ele atende às condições. Se a resposta for positiva, eles devem procurar as instituições financeiras a partir do próximo dia 19 de junho para solicitar a análise de crédito. Com o crédito aprovado, o motorista poderá requisitar o financiamento. O programa será operado pelo BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) em parceria com instituições financeiras credenciadas.


Simoni Saris
Repórter com atuação nas áreas de Economia, Infraestrutura e Agronegócio.


