Motta promete fim da espera por telefone
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segunda-feira, 05 de maio de 1997
Carmem Murara Sucursal de Curitiba 
Gilson CamargoDireito de usoSérgio Motta, ministro das Comunicações, diz que em dois meses só será possível comprar telefone no País sem as ações da Telebrás: É uma mudança revolucionária, dizO Ministério das Comunicações colocou como meta para o próximo ano acabar com a fila de espera para aquisição de telefones convencional e celular no País. O compromisso foi feito ontem pelo ministro das Comunicações, Sérgio Motta, ao falar sobre o novo sistema de compra de telefones. Desde ontem, qualquer pessoa que pague uma taxa de R$ 300,00 tem um terminal instalado em casa. A instalação acontece num prazo médio de dois anos. Este é o tempo de espera que o ministro quer acabar.
Nos próximos dois meses, a aquisição de terminal telefônico pode se dar por dois métodos: compra da linha e das ações ou compra apenas da linha. No primeiro caso, o usuário paga uma taxa de R$ 1.117,00 e obtém o terminal e a cota acionária. Se escolher a segunda opção, o consumidor adquire apenas a linha, pagando uma taxa única de R$ 300. Este valor é o máximo que pode ser cobrado, mas as concessionárias podem reduzir o custo e cobrar menos dos clientes.
O ministro Sérgio Motta comparou o novo sistema à instalação de qualquer outro serviço doméstico. Será como requisitar uma ligação de água ou luz em casa, explicou o ministro. Ele disse que em dois meses termina o método tradicional de compra de telefone, através dos planos de expansão (com aquisição de ações). Os planos serão extintos, respeitando apenas as pessoas que ainda estão na fila.
Motta disse que o fim da compra de ações da Telebrás foi uma mudança revolucionária no sistema de financiamento. Manter ações em poder de pequenos usuários criou um problema societário para as teles em todo o País, afirmou.
Para comprar um telefone, basta o interessado se inscrever na cidade onde mora ou ir a uma agência do Sistema Telebrás. Por enquanto, a espera é de quase dois anos, porque não há oferta que atenda a demanda. Com o investimento de R$ 21 bilhões na telefonia brasileira, Sérgio Motta acredita que conseguirá reduzir a curto prazo o tempo de espera. Não vamos enganar a população, mas nossa meta é chegar no padrão europeu, afirmou o ministro. Em alguns países da Europa, o tempo de instalação é de um mês.
O presidente da Telebrás, Fernando Xavier Ferreira, afirmou que as 31 concessionárias do sistema irão manter as listas de espera permanentemente abertas. Hoje, basta pagar uma taxa de habilitação, sem a necessidade de comprar as ações, afirmou. Ele disse que os interessados em ter a linha telefônica serão chamados conforme a ordem da fila de espera. Ferreira disse que basta pagar os R$ 300,00 para ter a linha telefônica por tempo indeterminado. Além desta taxa, o usuário paga a conta mensal do telefone, que são os interurbanos, preço da assinatura e tarifas.


