Heitor Hui/Agência Estado
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Em greveO ministro Sérgio Motta no portão de sua residência, onde funcionários do Correio fazem manifestoSeis meses depois de ter sido criticada pelo ministro das Comunicações, Sérgio Motta, a diretoria da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) foi demitida ontem por um decreto assinado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. A Assessoria de Imprensa do Ministério das Comunicações informou que o decreto será publicado segunda-feira (22) no ‘‘Diário Oficial’’ da União. Foram exonerados os cinco diretores, além do presidente, Amílcar Gazaniga, e do vice-presidente, Egydio Bianchi.
O decreto promoverá mudanças na estrutura da direção. Fica extinta a vice-presidência, ocupada por Bianchi desde a posse de Henrique Hargreaves como presidente no início do governo. Bianchi, amigo pessoal e de adolescência de Motta, era o homem de confiança do ministro nos Correios. Motta reclamava publicamente que a ECT era a única estatal ligada ao ministério fora de seu controle, cujos diretores foram indicados politicamente. Gazaniga, por exemplo, é vinculado ao PPB e foi indicado pelo senador Esperidião Amin (PPB-SC).
Será criada também a diretoria de Tecnologia, para cuidar da modernização da empresa. Segundo a assessoria de Motta, quatro dos novos administradores são atuais diretores regionais da ECT, funcionários de carreira da estatal. Os novos nomes serão anunciados conjuntamente com a demissão dos atuais diretores. Além disso, Motta garante que os novos diretores, responsáveis por gerir parte dos R$ 3,9 bilhões de investimentos previstos até 2003, não serão indicados politicamente.
Foram demitidos o diretor comercial, Alexis Stepanenko, ex-ministro do Planejamento e amigo pessoal do ex-presidente Itamar Franco, e o diretor administrativo Nelson Morro, ex-deputado do PFL. Também deixam a ECT os diretores financeiro, Jorge Fagali Neto; técnico, José Luiz Valentini, e de Recursos Humanos, Júlio Vicente Lopes, que exercia o cargo há oito anos.
Após permanecer em silêncio durante quase dois dias, a assessoria de Motta informou que a exoneração não está vinculada à greve dos funcionários da empresa. A paralisação entrou hoje no 15º dia. O ministro explicou a demissão por razões técnicas. Desde março, Motta fazia críticas públicas à direção da empresa.
Durante encerramento do Seminário sobre Qualidade Total, promovido pela estatal no fim de março, e na presença de 300 funcionários da empresa, Motta fez críticas duras aos diretores. ‘‘Só se gastou 25% dos recursos porque não há estrutura de gestão’’, reclamou, taxando de confusa a administração financeira da estatal e cobrando realizações.
‘‘Eu fiz um desafio à diretoria dos Correios e ainda não obtive respostas’’, afirmou Motta. ‘‘Não é claro para mim o que fazemos na ECT’’, continuou o ministro. Da mesma forma, o ministro criticou as finanças da empresa. ‘‘Não quero essa coisa confusa que é a contabilidade dos correios’’, disse.
Na ocasião, o ministro garantiu que a ‘‘bronca’’ na diretoria da empresa não significava o afastamento do presidente da ECT. ‘‘Quando estou insatisfeito, eu demito, não converso’’, afirmou. Gazaniga continuou sendo criticado em público, mas Motta o manteve na empresa até ontem.

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