Cerca de 250 caminhoneiros que estão com dificuldades de descarregar soja no pátio de transbordo da América Latina Logística (ALL), em Maringá, por falta de vagões, protestaram ontem de manhã, contra a falta de infra-estrutura para abrigá-los e contra o baixo valor da diária. Eles querem o reajuste da diária de R$ 0,25 por hora/tonelada para R$ 0,50. Muitos caminhoneiros chegam a ficar até dois dias na fila para descarregar. O valor da diária conforme Geasi Oliveira de Souza, do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas de Maringá, foi negociado entre a ALL e as transportadoras. Cada caminhoneiro tem direito à diária a partir de 12 horas de espera na fila.
Os caminhoneiros estão parados nas ruas de acesso ao entreposto da ALL e no pátio do posto de combustível Safrão, localizado na PR-317. Muitos estão sem tomar banho há vários dias e utilizam os banheiros do posto que não tem estrutura para atender o movimento. Segundo os caminhoneiros, a demora para descarregar sempre ocorreu na época de safra, mas este ano, o problema se agravou porque a maioria das transportadoras está autorizando o frete até Maringá de onde a carga segue até Paranaguá por trem. ‘‘As transportadoras e a ALL querem que a gente descarregue em Maringá por causa dos pedágios, só que a ALL não manda vagões suficientes para toda a carga e temos que ficar parados por até três dias’’, reclamou o caminhoneiro Avelino do Carmo Perassol. Ele está em Maringá desde a madrugada de quarta-feira e a previsão ontem, era de que só conseguiria descarregar a carga hoje ou sábado.
A maioria dos caminhoneiros parados em Maringá transportou a soja do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Segundo o diretor de logística da ALL, Augusto Pires, a empresa aumentou de uma média de 120 para 750 o número de vagões para o transporte, carga e descarga da safra. Ele disse que existe um descompasso na quantidade de caminhões do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul em Maringá por causa da falta de condições de estoque da safra nos dois estados. ‘‘O problema é que a remessa de caminhões para Maringá está sendo desordenada’’, aponta Pires.
O diretor afirmou ainda que não há registro de caminhoneiros parados até três dias. Conforme Pires, ontem às 3 horas havia 80 caminhões em atraso. ‘‘Alguns caminhoneiros ficaram mais exaltados de manhã, mas neste período de safra a concentração é mais forte.’’

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