Mosca da carambola ameaça atacar frutas
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 27 de outubro de 1998
Marccio W. Varella 
Uma equipe de pesquisadores de quatro nacionalidades (brasileiros, holandeses, franceses e americanos) luta nos países que fazem fronteira com o norte do Brasil contra a mosca da carambola, a Bactrócera carambolai, comum nas zonas urbanas das cidades do Suriname, Guiana e Guiana Francesa. Esta mosca, se chegar ao Brasil, poderá causar prejuízos incalculáveis às plantações de frutas cítiricas, uvas e mangas. É uma mosquinha amarelinha que causa o apodrecimento das frutas, explica o coordenador da pesquisa Aldo Malavasi, 48 anos, biólogo e professor do Departamento de Genética da Universidade de São Paulo (USP).
Há dois anos, cientistas de quatro países se uniram para tentar erradicar a mosca da carambola. Financiados pelos respectivos governos e pelo Fundo Interamericano de Desenvolvimento da Agricultura, com total de US 10 milhões (já foram gastos US$ 2 milhões), os cientistas conseguiram descobrir um método que está erradicando a praga.
Uma mistura de metil-eugenol (mais conhecido como feromônio, derivado do cravo da Índia), que na verdade é o cheiro da mosca da carambola fêmea, foi sintetizada em laboratório. Misturado ao inseticida Malation, o líquido é colocado em um aglomerado de madeira, que é pendurado nas árvores de fundo de quintal das casas. A mosca macho é atraída pelo cheiro da fêmea e pousa no inseticida. Sem o macho, a fêmea também desaparece.
O método está surtindo efeito, garantiu o professor Malavasi. A erradicação começou no oeste do Suriname e no leste da Guiana. Estamos apertando o cerco sobre a mosca da carambola. Dentro de dois anos ela estará erradicada, disse ele.


