Morreu ontem em Curitiba, com 76 anos, o cafeicultor Paulo Ribeiro Carneiro. Ele foi vítima de um derrame há uma semana e não se recuperou. Ocupou vários cargos públicos, entre eles, o de secretário de Estado da Agricultura, entre 1975 e 1979, no governo Jaime Cannet. Em toda a vida pública iniciada no antigo Instituto Brasileiro do Café (IBC), destacou-se pela defesa da cafeicultura paranaense e nacional. Paulo Carneiro será enterrado hoje, às 10 horas, no cemitério Parque Iguaçu, em Curitiba.
Paulo Carneiro ocupava a função de engenheiro agrônomo do IBC, quando iniciou sua vida pública. Mais tarde foi diretor do Instituto e um dos responsáveis pela criação da rede de armazéns que o órgão tem hoje na região Norte do Paraná. Na década de 60, período áureo da cafeicultura paranaense, foram produzidas cerca de 22 milhões de sacas de café, sem que o Estado tivesse qualquer estrutura de armazenagem. Na época, chegou a implantar mais de 40 armazéns no Estado, distribuídos entre a Região Norte, Ponta Grossa, Curitiba e no Porto de Paranaguá.
Além da cafeicultura, destacou-se pela gestão modernizante que imprimiu à pasta da Agricultura no governo estadual, quando se empenhou em trazer sementes de trigo do México para o Paraná. Ele importou sementes da variedade anauac, na época a mais produtiva. Essa iniciativa rendeu ao Estado a condição de primeiro produtor de trigo no País, sendo que o Paraná chegou a produzir mais de 3 milhões de toneladas na safra 86/87. Também foi responsável pelo início do programa de microbacias hidrográficas.
Ainda no cargo de secretário, importou matrizes de bovinos do Canadá, o que estimulou a melhoria da pecuária leiteira no Estado. Foi líder dos produtores rurais, ocupando a presidência da Federação da Agricultura do Paraná por dois mandatos, entre 1985 e 1991. Mantinha duas fazendas com café, uma no município de Ibiporã e outra na região de Londrina. Recentemente vinha investindo em lavouras de café na fazenda da família, onde nasceu, no municípo de Rio Verde, sul de Minas Gerais.