Morre o ex-ditador Bokassa
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terça-feira, 05 de novembro de 1996
Reuter 
BANGUI - O ex-ditador da República Centro-Africana, Jean-Bedel Bokassa, morreu domingo à noite aos 75 anos, vítima de um ataque cardíaco, segundo seu filho Jean Charles. Excêntrico e cruel, Bokassa sofria de doença nos rins e comprometimento de outros órgãos vitais.
Bokassa terá funerais de chefe de Estado. Em um comunicado lido ontem na rádio governamental, as autoridades do país expressaram seus sentimentos à família do ilustre falecido.
Ele havia tomado o poder em 1966, depois de derrubar seu sobrinho David Dacko, primeiro presidente depois da independência da França. Espelhando-se em seu ídolo confesso, Napoleão Bonaparte, Bokassa se autoproclamou imperador da República Centro-Africana e mudou o nome do país, que então se chamava Ubanqui-Chari, para Império Centro-Africano. A proclamação do império teve até cerimônia de coroação. Sua coroa foi avaliada em US$ 5 milhões e os gastos com a cerimônia consumiram um terço de toda a renda captada pelo país.
Seu governo, marcado pela repressão, chegou ao fim em 1979, depois de denúncias da Anistia Internacional do massacre de 100 mil estudantes que protestavam contra Bokassa. No mesmo ano, um golpe liderado pelo sobrinho deposto, Dacko, com o apoio da França, foi organizado durante uma viagem de Bokassa à Líbia. Dacko restaurou a república e mudou novamente o nome do país para República Centro-Africana.
Quando ele deixou o palácio presidencial, os abusos e o desvio de dinheiro do Estado para seus cofres ficaram evidentes: só a decoração dos banheiros usava dezenas de quilos de ouro.
Bokassa viveu então no exílio até 1986, quando voltou inesperadamente ao país, foi preso e julgado por assassinato e corrupção. Condenado em um julgamento repleto de relatos mórbidos, como infanticídio e canibalismo, Bokassa foi sentenciado à pena capital. Sua pena foi comutada para prisão perpétua, e em 1993 ele foi libertado graças a uma anistia. No ano passado ele revelou que pretendia candidatar-se a presidente.


