Moratória mineira derruba bolsas
O governo federal reagiu com firmeza à declaração de moratória feita pelo governador de Minas, Itamar Franco. Como o mercado esperava, o Ministério da Fazenda soltou uma nota dura contra a atitude do ex-presidente, afirmando que honrará os compromissos externos do País e que executará as garantias oferecidas pelo governo mineiro. A tentativa foi reduzir o impacto negativo da ameaça junto aos investidores externos.
Mas não foi o suficiente para melhorar o clima do mercado. O Ibovespa fechou em queda de 5,13%, enquanto o índice futuro recuou 5,15%. A Bolsa do Rio acompanhou: fechou com queda de 3,18%. Em que pese algum exagero dos investidores, o fato é que Itamar pode ter provocado um estrago considerável na imagem do País junto a investidores estrangeiros. A volta do capital externo às bolsas, tão ansiada desde que 1999 começou, deverá sofrer um inevitável atraso. Também se teme que as captações externas por parte de empresas privadas sejam dificultadas, ou saiam mais caras, em função do risco Itamar.
Inacreditavelmente, o revival de Inconfidência Mineira derrubou as bolsas mundiais, temerosas de que o Brasil volte ao olho do furacão, por eventualmente não cumprir as metas compromissadas com o FMI. Minas Gerais foi citada de Wall Street a Zurique como fonte de preocupação.
O imbróglio principal, na avaliação de operadores, é político. A Fazenda já retaliou, em discurso. O que determinará o caminho do mercado, daqui para frente, será a forma como o presidente Fernando Henrique Cardoso vai pôr fim à rebelião mineira e quanto tempo o embate vai durar.
O otimismo moderado do mercado foi para o brejo ontem. O furacão Itamar Franco, com a moratória de Minas, ultrapassou as fronteiras nacionais e foi bater nas bolsas dos EUA, européias, asiáticas, fez o dólar cair, assustando os investidores estrangeiros. Os nacionais, então, nem se fala. Quem reclamava da falta de notícias, ontem se arrependeu. O estrago foi grande no mercado brasileiro. A moratória de Minas, teme-se, pode levar a uma reação em cadeia de outros Estados, prejudicando o ajuste fiscal e as metas acordadas pelo governo de FHC com o FMI. E o pagamento dos eurobônus de Minas, que vencem em fevereiro? Será honrado ou não? Essas dúvidas abalaram os investidores nesta quinta-feira e terminaram o dia sem respostas.Marie Hippenmeyer/France PresseEstrago grandeDia foi nervoso na Bovespa, ontem: investidor externo está receosoAgência Estado





