Moratória é rejeitada por Maílson e Campos
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de janeiro de 1999
Arquivo FolhaMaílson da Nóbrega: repúdioAgência Estado 
O ex-ministro Maílson da Nóbrega repudiou os boatos que circularam no mercado ontem à tarde, dizendo que refletem desconhecimento da economia e da situação brasileira. Uma moratória só ocorreria se passasse um cachorro louco e mordesse toda a equipe econômica, disse, afastando a possibilidade da decretação de uma moratória interna. Segundo ele, além de ser desnecessária, seria algo operacionalmente impossível de ser efetuada. Maílson lembrou ainda que haveria incontáveis exceções no caso de uma moratória, o que a tornaria mais difícil. E, por fim, a Justiça dificilmente aceitaria isso, disse.
Maílson acha que o pânico e a boataria de ontem foram estimulados pelo encontro de anteontem entre o presidente da República e o ex-ministro Ciro Gomes. Ao dizer que discutiria a reestruturação da dívida interna com Fernando Henrique, Ciro levou essa hipótese, dando respaldo a ela. Vi muitas pessoas que ficaram impactadas com isso, disse. Mesmo que essa idéia seja totalmente ilógica.
O ex-deputado e ex-ministro do Planejamento Roberto Campos disse ontem que a moratória da dívida interna não seria uma solução para os problemas do País, mas sim um desastre. Seria um crescente desastre, frisou. Destruiria o crédito externo e também o interno. Para solucionar a crise pela qual o País passa, Campos recomenda um choque fiscal e privatizações simbólicas.


