Morango perde mercado por falta de organização
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quinta-feira, 06 de dezembro de 2001
De Londrina 
Os produtores de morango do Paraná correm o risco de perder mercado se insistirem em cultivar variedades que, embora correspondam aos interesses dos compradores intermediários, não são as preferidas dos consumidores. O setor deve se organizar e adotar a classificação e rotulagem do produto em que constem dados sobre a origem e o nome do produtor. Isto transmite confiança ao consumidores.
O alerta é da engenheira agrônoma Priscila Rocha Silva, do Programa Hortiqualidade da Faep. Ela falou terça-feira, no 2º Encontro sobre a Cultura do Morangueiro, promovido pelo Iapar, Emater e Faep. Priscila apresentou resultados de pesquisas junto a consumidores e à cadeia produtiva do morango. Com base na expectativa dos consumidores, o Hortiqualidade está orientando os produtores para melhorar a comercialização.
Cerca de 60% dos 715 produtores de morango do Estado do Paraná cultivam a variedade Dover. É uma variedade que resiste bem ao manuseio e apresenta maior ''tempo de prateleira''. Mas não é a mais saborosa, do gosto dos consumidores, cujas preferências são para variedades como Osogrande, Tupla e Camarosa, exemplifica a agrônoma Darana Kelly Tramujas da Silva, que ouviu os produtores na Região Metropolitana de Curitiba. O consumidor que conhece os tipos de morango pagam em média 30% a mais pela qualidade. E existe uma variedade, a Toyonoka, cujo preço pode chegar a 150% sobre a variedade mais usada pelos produtores.
A falta de classificação, rotulagem e informações, entre outros gargalos apresentados pela técnica Priscila, do Hortiqualidade, faz o consumidor se retrair. ''Quem não tem hábito de consumir morango e adquire uma variedade que não agrada (apenas 32% dos consumidores disseram saber distinguir o fruto), acaba dizendo que não gosta de morango. O morango não concorre com morango; seu concorrente são as outras frutas'', explica Priscila.
O perfil do consumidor levantado pelo programa da Faep aponta os atributos coloração, textura, aroma e tamanho como determinantes na hora de comprar. Mas a identificação e outros dados (rastreabilidade) são o principal diferencial no mercado.
A falta de melhor organização da produção é um dos piores gargalos, segundo Priscila, porque abre oportunidade para entrada de produtos de outros Estados. Ela, no entanto, cita casos de sucessos como os produtores de Colombo que adotaram o certificado e conseguem ágio de 3% sobre os preços de mercado. E os produtores de Palmeira que fizeram sondagem do mercado e ''trabalham'' sua produção dentro da expectativa dos consumidores com quem negociam diretamente.
Apesar de problemas considerados normais, o interesse de pequenos produtores do Paraná pela produção de morango tem aumentado. Segundo a pesquisadora do Iapar, Zuleide Hissano Tazima, que coordeou o 2º Encontro sobre a Cultura do Morangueiro, o número de participantes dobrou este ano em relação ao encontro anterior e entre os participantes estavam moradores da Vila Rural, além de produtores de Colombo, na Grande Curitiba, e da Warta, no Norte do Estado.


