Brasília - O presidente da Bolívia, Evo Morales, desembarcará hoje de manhã em Brasília, acompanhado pelo embaixador Frederico Araújo, para uma visita de ''poucas horas''. Terá um encontro reservado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no final da manhã, no Palácio do Planalto, seguido de uma reunião de trabalho, com a participação de ministros dos dois governos.
A visita oficial deverá ser encerrada com um almoço oferecido por Lula a Morales, no Itamaraty, com a celebração de oito acordos de cooperação - para o controle da febre aftosa, aproveitamento do rio Madeira, sobre os fluxos imigratórios de lado a lado, e na área de Defesa, entre outros. Em público, os presidentes deverão fazer apenas um pronunciamento à imprensa.
A visita exemplificará a política de generosidade do governo Lula para as economias sul-americanas. País mais pobre da região, com uma fronteira de 3 mil quilômetros com o Brasil, a Bolívia receberá as bênçãos de Brasília para novos investimentos da Petrobras na produção de gás e para o financiamento brasileiro a um projeto de pólo gás-químico entre o Mato Grosso do Sul e Santa Cruz de La Sierra, a ser conduzido por empresas privadas.
Nesta semana, o governo brasileiro incluiu nesse pacote a possível construção de uma hidrelétrica binacional no Rio Madeira, no lado boliviano da fronteira com Rondônia. Projetos antigos também foram resgatados. Entre eles, o de financiamento para a compra de máquinas agrícolas do Brasil e a urgente cooperação para o controle da febre aftosa.
A Bolívia pressiona pelo aumento do gás fornecido ao Brasil, de US$ 4,3 por milhão de BTU para US$ 5. Também anunciou que 50% do gás extraído no país deverá ser destinado ao mercado interno. A Petrobras resiste. O governo de Evo ainda não definiu o tratamento aos mais de 20 mil brasileiros que vivem do lado boliviano da fronteira. O Itamaraty fez o censo dessa população e deixou claro que não aceitará arbitrariedade.

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