Morales consolida nacionalização de gás
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quarta-feira, 02 de maio de 2007
Folhapress 
São Paulo - O presidente da Bolívia, Evo Morales, assinou ontem os 44 novos contratos com petrolíferas e consolidou a nacionalização do gás anunciada há um ano. Na cerimônia, Morales pediu investimentos das empresas estrangeiras. O boliviano, no entanto, reforçou que as petrolíferas ''já não são patrões''. Segundo Morales, se inicia uma ''nova história'' no país e pediu que as empresas façam investimentos.
O presidente afirmou que se a Bolívia fosse um país com recursos, não precisaria de ''sócios'' para explorar suas riquezas naturais. Doze petrolíferas começaram a firmar ontem 44 novos contratos com o governo da Bolívia, que passa a controlar integralmente a produção interna e a comercialização de petróleo e gás. A entrada em vigor de novos contratos com as multinacionais do setor foi festejada pelo presidente do país, Evo Morales, durante as festas de 1º de Maio, Dia do Trabalho.
Os acordos entram em vigor seis meses após terem sido assinado os originais e um ano e um dia depois de Morales ter anunciado a nacionalização dos hidrocarbonetos. Ao fazer o anúncio oficial na terça-feira, Morales afirmou que, além do setor de petróleo e gás, as medidas também afetarão o setor de telefonia e a criação de um banco de fomento.
A estatal boliviana YPFB afirma que as exportações de gás natural para o Brasil não serão afetadas pela interrupção simbólica. Segundo a Petrobras, nada muda na relação com a Bolívia, pois o país já havia concordado, no ano passado, com a reestatização dos ativos de petróleo e gás.
A Petrobras afirmou ainda que continua a negociar o preço do ressarcimento da nacionalização de duas de suas refinarias (Villaroel, em Cochabamba, e Guillermo Elder Bell, em Santa Cruz de La Sierra). O impasse ocorre porque a Bolívia quer pagar um preço inferior ao valor de mercado.
O presidente da estatal brasileira, José Sérgio Gabrielli, disse que a vigência dos novos contratos, assinados entre as operadoras estrangeiras e a estatal YPFB, é positiva. A companhia passará a pagar menos impostos e dividirá custos e lucros com a YPFB.
''As negociações continuam desde maio de 2006 até agora e esperamos achar uma boa solução'', afirmou Gabrielli em entrevista coletiva em Houston, nos Estados Unidos, onde participa da Offshore Technology Conference (OTC), maior evento da indústria de petróleo offshore no mundo.
Durante o anúncio de ontem, Evo Morales também mandou um recado, sem citar o nome, à empresa brasileira. ''Algumas empresas dizem que vão nos processar no CIADI (Centro Internacional para Arbitragem de Disputas sobre Investimentos). Mas nós decidimos sair do CIADI porque só os Estados Unidos saíram vitoriosos neste organismo de arbitragem internacional. Todos os demais perderam e as empresas sempre saíram ganhando'', afirmou. Morales disse ainda que se as empresas nacionalizadas pedem segurança jurídica, a Bolívia pede respeito às suas leis.


