Moradores reclamam e buscam opções a pedágio em Cambará
Praça reaberta no último sábado com tarifa de R$ 21,90 para automóveis leves gera revolta entre motoristas que fazem rota diária a partir de Andirá
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 03 de junho de 2019
Praça reaberta no último sábado com tarifa de R$ 21,90 para automóveis leves gera revolta entre motoristas que fazem rota diária a partir de Andirá
Fabio Galiotto - Grupo Folha 

A reabertura da praça de pedágio entre Andirá e Cambará desde o último sábado (1º) deixou preocupados os moradores que precisam cruzar as cancelas diariamente para trabalhar, estudar ou fazer tratamentos de saúde. As tarifas de R$ 11,00 para motos, R$ 21,90 para veículos de passeio e de R$ 38,60 para caminhões simples, com R$ 19,30 para cada eixo extra, fez com que muitos buscassem na segunda-feira (3) alternativas para evitar a cobrança.
Houve quem marcasse o ponto de encontro no pedágio para entregas, aqueles que se arriscaram em desvios por vicinais rurais e outros que queriam informações sobre a possibilidade de obter a gratuidade. Entre os que pagaram as tarifas regularmente, revolta foi a palavra “publicável” mais usada. “Faço tratamento no Hospital do Câncer regularmente, gasto quase R$ 50 para ir e mais R$ 50 para voltar. É absurdo, revoltante”, disse a professora Maria de Lourdes Bezerra, de Cambará.
O caminhoneiro Elcio Correa disse que o valor está muito acima do que costuma pagar no trajeto entre Mato Grosso e Santa Catarina. “Andei três quilômetros para pagar mais de R$ 50 em uma rodovia que nem mesmo duplicada é. Isso não é pedágio, é assalto. Só no Brasil.”
A dona de casa Cleusa Braga pediu informações sobre como conseguir trafegar diariamente, nos 19 km entre Andirá e Cambará, para cuidar da mãe doente. Porém, considerou que nem mesmo os funcionários têm a resposta. “Disseram que o trabalhador tem de comprovar o endereço de residência e o local de trabalho, mas não tenho comprovante. Preciso do quê, de uma carta do médico? Revolta, porque se moro aqui eu deveria ter direito de passar”, reclamou.
Para o responsável pelo setor de cargas Giovani Fernandes dos Santos, a opção foi combinar de encontrar o chefe na praça de pedágio. “Fiquei sabendo hoje e, para não ter de passar, meu patrão me trouxe dinheiro até aqui para pagar um serviço”, disse. “Poderia usar a estrada de terra de Barra do Jacaré, mas é muito esburacada, choveu muito e só iria estragar minha moto.”

Proprietário de um supermercado em Cambará e morador de Ribeirão do Pinhal, Paulo Roberto Carvalho Júnior contou que inaugurou recentemente a unidade da cidade e que conta com um grupo de funcionários de Andirá, aos quais oferece transporte. Além disso, ele leva produtos de caminhão todos os dias da sede da rede à filial e a mulher dele faz a rota em horários diferentes. “Também tenho um caminhão que me traz produtos do Ceasa. Se fizer a conta de tudo, duas vezes ao dia, porque é ida e volta, dá R$ 3.285. No mínimo, dá uns dois ou três postos de trabalho”, citou, ao mostrar a calculadora.
Carvalho Júnior contou que questionou representantes da concessionária, na praça de pedágio, um dia antes do início da cobrança, mas não obteve resposta. “É difícil, porque sei que meus funcionários têm família, precisam, então estou tentando resolver. Entendo que o pedágio é para ter dinheiro para obras, mas gasto R$ 12 de combustível para ir e voltar e R$ 43,80 de pedágio? Falta coerência na definição desse valor.”
A reportagem também trafegou pela estrada de terra que liga Cambará a Barra do Jacaré, sem passar pelo pedágio. Apesar das chuvas fortes dos últimos dias, as várias marcas de pneus e barro nos acessos à vicinal mostraram que muitos se arriscaram ontem no trajeto de 6 km. Na rota, encontrou quatro automóveis e um caminhão de sete eixos.

HISTÓRICO
Desde novembro do ano passado a Econorte trava uma luta na Justiça Federal, que envolve todos os aditivos de contrato feitos desde a assinatura da concessão, em 1997, que permitiram a instalação da praça de cobrança em Jacarezinho, ampliaram a tarifa e reduziram as obrigações de duplicações. A Econorte também se vê envolvida nas fases 1 e 2 da Operação Integração, deflagrada pela força-tarefa da Lava Jato.
A reabertura da praça da Econorte em Cambará foi autorizada pelo juiz da 1ª Vara Federal de Curitiba, Friedmann Anderson Wendpap, e permitiu "tarifar o pedágio conforme seu entendimento das regras contratuais”. O valor foi definido como o mesmo permitido para a praça de Jacarezinho, cuja operação foi suspensa.
No primeiro dia de cobranças, no último sábado (1º), moradores de Cambará protestaram e abriram as cancelas para a passagem de veículos, sem cobrança, por 15 minutos. Vereadores e prefeitos de municípios da região articulam uma reunião nesta quarta-feira (5) com diretores da Econorte para debater a questão.
Em nota, a Econorte confirma que está aberta ao diálogo e tem realizado reuniões com representantes das cidades do entorno da Praça de Cambará.


