A julgar pela maioria dos pronunciamentos feitos na audiência pública realizada quarta-feira à noite na Câmara Municipal, o projeto de lei 358 será aprovado na próxima semana. Com isso, finalmente a Rede Angeloni vai poder construir aquela que deveria ter sido sua primeira loja em Londrina, mas que agora será a segunda. Desde outubro do ano passado, o grupo está no Londrina Norte Shopping.
O projeto muda de residencial para comercial o zoneamento da Rua Ulrico Zuimglio, na Gleba Palhano (Zona Sul), permitindo que, no local, seja instalado o setor de carga e descarga do hipermercado, cuja entrada principal ficará voltada para a Avenida Madre Leônia Milito, próximo ao viaduto sobre a PR 445.
Pela primeira vez, moradores favoráveis ao projeto de lei foram à Câmara Municipal de Londrina defender o empreendimento. A entrada dos caminhões pela rua dos fundos foi uma sugestão do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippul), considerando que a Madre Leônia já está sobrecarregada.
A audiência foi realizada após pressão de um grupo de moradores da Gleba Palhano contrários ao projeto. Eles acham que o tráfego na Ulrico Zuimglio tirará o sossego no bairro. Mas a maioria dos moradores que se manifestou se disse favorável.
"Sou a favor do projeto do jeito que ele está", afirmou Rubens Chiaroti, que mora no Edifício L´Essence, na Rua Antonio Pizichio. Ele chamou o grupo contrário ao projeto de "pretensos representantes" da Gleba. "São elitistas. Eles mesmos dizem que querem uma mini-Europa. A muralha caiu, mas o espírito dela prevalece", disse ele em referência à Lei da Muralha, que impedia a instalação de supermercados na cidade.
Antonio Lemos, morador do Edifício Arquiteto Júlio Ribeiro, localizado na própria Ulrico Zuimglio, também foi à Câmara se manifestar a favor do projeto de lei e do hipermercado. Vivendo a 100 metros do local onde será a obra, ele afirma que é uma "comodidade" ter um estabelecimento do tipo perto de casa. "Não é só a minha opinião. No meu prédio, o pessoal é a favor", disse. Para ele, o impacto dos carros dos moradores da Palhano sobre o tráfego é maior do que o possível impacto do Angeloni.

História
Durante a audiência, o presidente da Câmara e autor do projeto, Rony Alves (PTB), leu um histórico da loja Angeloni. Em 2010, o grupo catarinense comprou o terreno, mesmo sabendo que no local não poderia construir, em virtude da Lei da Muralha. Segundo o texto lido pelo vereador, o grupo fez o negócio após ter ouvido do ex-prefeito Barbosa Neto a garantia de que a lei seria derrubada.
Mas Barbosa passou a apoiar a muralha, que só foi derrubada pela Câmara no ano passado, após denúncias de que uma rede de supermercados já instalada na cidade pagava propina a vereadores para manter a concorrência afastada.
Depois que a Muralha caiu, a indicação de que os caminhões não poderiam trafegar pela Madre Leônia passou a ser o problema do grupo, que adquiriu os lotes de trás para permitir a entrada dos caminhões. Mas, para isso, é preciso alterar o zoneamento da Rua Ulrico Zuimglio, propósito do projeto 358.

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