O déficit imobiliário no Brasil para moradia popular deve continuar, caso o governo não crie um órgão para gerenciar, administrar e propor investimentos para o setor. A afirmação é do membro da Companhia do Conselho da Associação Brasileira de Crédito de Poupança, Camilo Fortuna Pires. Segundo ele, dos 7,9 milhões de moradias que precisam ser construídas em todo país, 94% são para construções populares. O diretor propõe que o governo subsidie o setor de moradia popular, além de criar um órgão aos moldes do extinto BNH.
Pessoas que recebem até 5 salários mínimos, explica Fortuna, não têm condições de financiar a construção do próprio imóvel. Os bancos privados, segundo ele, não emprestam porque existem aplicações melhores no mercado financeiro do que imóveis populares. ''Consequentemente, nesta faixa temos que atuar com subsídios governamentais, a sociedade efetivamente tem que bancar estes empreendimentos'', constata.
Ele pondera que a dificuldade de não haver investimentos nesta área, está na carência de recursos financeiros, não existindo dotação orçamentária específica para imóveis populares por parte da União. Fortuna informa que existem hoje recursos ''irrisórios'' do orçamento do governo para estes imóveis sociais. ''O governo destina cerca de R$ 2 bilhões, através de um programa proveniente do Tesouro Nacional'', relata. Ele acrescenta que existem cooperativas e recursos do FGTS que financiam este tipo de empreendimento. ''Mas é muito pouco'', sintetiza. Ele, entretanto, não soube dizer quanto seria necessário em dinheiro para cobrir a demanda por moradias populares.
(E.P.F.)

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