Moodys reduz nota de bancos brasileiros
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sexta-feira, 04 de setembro de 1998
Agência Folha 
A Moodys, uma das maiores empresas de classificação de risco de crédito do mundo, rebaixou ontem a nota dos três maiores bancos privados do Brasil no quesito chamado de força financeira. Bradesco, Itaú e Unibanco tiveram sua nota cortada de C+ para C-. A força financeira mede a segurança intrínseca oferecida pelo banco. Ou seja, mede a necessidade de o banco recorrer ao auxílio dos acionistas ou do governo em caso de turbulência. Quanto menor a necessidade, maior a força financeira do banco. Embora tenha rebaixado os três bancos, a Moodys não acredita que o risco deles tenha aumentado. Foi um ajuste técnico que tivemos que fazer, diz Celina Vansetti, vice-presidente da Moodys na área de instituições financeiras. Acontece que anteontem a agência de classificação de risco rebaixou a nota da dívida externa brasileira, indicando percepção de maior risco de inadimplência.
A nota C+ para os bancos é muito forte em um ambiente que está sofrendo deterioração, diz Celina, referindo-se ao Brasil. Mas esses bancos continuam tão fortes quanto antes. Ela pondera, no entanto, que fica difícil afirmar que o ambiente enfraquecido não vá afetar a performance dos bancos. Por isso ajustamos as notas dos bancos ao nível de risco do país.
A escala da Moodys para classificação de força financeira dos bancos vai de A, a nota máxima, até E, a pior delas. Apenas os três bancos brasileiros e outros seis bancos chilenos tinham a nota C+ na América Latina. Todos os outros bancos da região têm classificação inferior.
Bradesco, Itaú e Unibanco estavam acima da média, diz Celina. Segundo ela, a nova nota indica que não há dúvidas sobre a qualidade dos depósitos, a rentabilidade e a capitalização dos três bancos. A única preocupação é que o ambiente operacional não está bom. Além de rebaixar a nota desses três bancos, a Moodys colocou sob revisão outros seis bancos brasileiros: Bozano, Simonsen, Pactual, Icatu, Barclays e Galícia, Cidade e Votorantim, todos com nota D+. Vamos analisar melhor esses bancos e decidir se é preciso baixar suas classificações, diz Celina.
Para Roberto Setubal, presidente do Itaú e também da Febraban (federação dos bancos), a Moodys se precipitou ao rebaixar o risco dos bancos. São bancos sólidos, líquidos e muito tranquilos. Mesmo oscilações no câmbio ou nos juros não afetam seus desempenhos. Os bancos brasileiros, em geral, estão mais defensivos, diz Setubal.
O presidente do Itaú acredita que, passado o período de turbulência, a Moodys voltará a rever as notas dos bancos e também a do Brasil. A Moodys se desgastou muito no ano passado por ter mantido elevadas as notas dos países asiáticos que entraram em crise e agora está pecando por excesso de zelo. No caso do Brasil, a nota já refletia muito bem o risco existente.


