A Moody’s, uma das maiores empresas de classificação de risco de crédito do mundo, rebaixou ontem a nota dos três maiores bancos privados do Brasil no quesito chamado de ‘‘força financeira’’. Bradesco, Itaú e Unibanco tiveram sua nota cortada de ‘‘C+’’ para ‘‘C-’’. A força financeira mede a segurança intrínseca oferecida pelo banco. Ou seja, mede a necessidade de o banco recorrer ao auxílio dos acionistas ou do governo em caso de turbulência. Quanto menor a necessidade, maior a força financeira do banco. Embora tenha rebaixado os três bancos, a Moody’s não acredita que o risco deles tenha aumentado. ‘‘Foi um ajuste técnico que tivemos que fazer’’, diz Celina Vansetti, vice-presidente da Moody’s na área de instituições financeiras. Acontece que anteontem a agência de classificação de risco rebaixou a nota da dívida externa brasileira, indicando percepção de maior risco de inadimplência.
‘‘A nota ‘‘C+’ para os bancos é muito forte em um ambiente que está sofrendo deterioração’’, diz Celina, referindo-se ao Brasil. ‘‘Mas esses bancos continuam tão fortes quanto antes.’’ Ela pondera, no entanto, que fica difícil afirmar que o ambiente enfraquecido não vá afetar a performance dos bancos. ‘‘Por isso ajustamos as notas dos bancos ao nível de risco do país.’’
A escala da Moody’s para classificação de força financeira dos bancos vai de ‘‘A’’, a nota máxima, até ‘‘E’’, a pior delas. Apenas os três bancos brasileiros e outros seis bancos chilenos tinham a nota ‘‘C+’’ na América Latina. Todos os outros bancos da região têm classificação inferior.
‘‘Bradesco, Itaú e Unibanco estavam acima da média’’, diz Celina. Segundo ela, a nova nota indica que não há dúvidas sobre a qualidade dos depósitos, a rentabilidade e a capitalização dos três bancos. ‘‘A única preocupação é que o ambiente operacional não está bom.’’ Além de rebaixar a nota desses três bancos, a Moody’s colocou sob revisão outros seis bancos brasileiros: Bozano, Simonsen, Pactual, Icatu, Barclays e Galícia, Cidade e Votorantim, todos com nota ‘‘D+’’. ‘‘Vamos analisar melhor esses bancos e decidir se é preciso baixar suas classificações’’, diz Celina.
Para Roberto Setubal, presidente do Itaú e também da Febraban (federação dos bancos), a Moody’s se precipitou ao rebaixar o risco dos bancos. ‘‘São bancos sólidos, líquidos e muito tranquilos. Mesmo oscilações no câmbio ou nos juros não afetam seus desempenhos. Os bancos brasileiros, em geral, estão mais defensivos’’, diz Setubal.
O presidente do Itaú acredita que, passado o período de turbulência, a Moody’s voltará a rever as notas dos bancos e também a do Brasil. ‘‘A Moody’s se desgastou muito no ano passado por ter mantido elevadas as notas dos países asiáticos que entraram em crise e agora está pecando por excesso de zelo. No caso do Brasil, a nota já refletia muito bem o risco existente.’’

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