Moody's rebaixa nota de crédito, mas mantém grau de investimento do Brasil
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terça-feira, 11 de agosto de 2015
Mariana Branco <br>Agência Brasil 
A agência de classificação de risco Moodys informou ontem que rebaixou a nota de crédito brasileira de Baa2 para Baa3. A agência também mudou a perspectiva da nota de negativa para estável. Com a alteração na nota, o País mantém o grau de investimento, conferido a países considerados seguros para investir, mas fica a um degrau de ser rebaixado para o grau especulativo, referente a países com qualidade de crédito questionável.
Segundo nota da Moodys, os motivos para o rebaixamento da nota são a performance econômica abaixo do esperado, a tendência de crescimento dos gastos governamentais e a falta de consenso político sobre as reformas fiscais. Para a agência, esse conjunto de fatores "impedirá que as autoridades alcancem superavits primários altos suficientes para reverter a tendência de débito crescente neste ano e no próximo e desafiará sua habilidade de conseguir fazê-lo mais tarde".
Na nota, a Moodys informou que, em relação às expectativas anteriores, o volume e capacidade de pagamento da dívida do País continuarão a se deteriorar em 2015 e 2016 a níveis piores do que o de outros países classificados no patamar Baa. "A Moodys espera que a crescente carga da dívida se estabilize apenas no fim desse governo", diz o comunicado da agência de classificação.
De acordo com a Moodys, o Brasil tem pontos fortes que justificam a classificação em Baa3, ainda considerada grau de investimento. São a capacidade de suportar choques financeiros em razão das amplas reservas internacionais, o balanço patrimonial do governo com exposição relativamente limitada à dívida em moeda estrangeira e a títulos de dívida em poder de não residentes, se comparado a outros países, e uma economia grande e diversificada.
No fim de julho, a agência de classificação de risco Standard & Poors já havia anunciado mudança da perspectiva da nota de crédito brasileira de estável para negativa.
O rebaixamento da nota do Brasil pela agência de classificação de risco Moodys ocorreu de forma transparente e indica caminhos para o país melhorar a administração da dívida pública, disse o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. "Acho que a declaração da Moodys explica exatamente os pontos que ela achou relevante. É uma declaração bastante detalhada, transparente e trata da indicação das prioridades que a gente deve ter em relação a manter a qualidade da dívida pública", afirmou Levy, ao deixar o Ministério da Fazenda.
Durante duas horas, o ministro participou de reunião com o presidente da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Murilo Portugal, e os presidentes dos principais bancos do País. Segundo a assessoria de imprensa do Ministério da Fazenda, eles debateram a conjuntura econômica atual. Não foram fornecidos mais detalhes do encontro. Os banqueiros saíram sem falar com os jornalistas e não comentaram o rebaixamento do Brasil.


