Carmem Murara
A Montesul Montagem de Máquinas Industriais Ltda - grupo paranense que chegou a ser considerado o segundo maior no ramo de montagens de maquinário industrial - fechou ontem às portas, em Ponta Grossa, e aguarda para hoje que o juiz da 3ª Vara Cível, Fernando Carlos Jorge, decrete sua falência. A empresa acumulou nos últimos dois anos uma dívida que pode variar entre R$ 5 milhões e R$ 10 milhões, tornando sua situação insustentável, segundo avaliação feita pelo advogado da Montesul, Fernando Madureira. Os principais credores são os bancos e o Fisco.
O fechamento da empresa deixou cerca de 350 funcionários desempregados de um total aproximado de 1,2 mil que trabalhavam em meados do ano passado. Todos foram surpreendidos ao chegar para trabalhar logo cedo e encontrar os portões fechados. ‘‘Sabíamos que a empresa estava mal das pernas, mas, no final de maio, eles nos garantiram que não iriam fechar’’, afirmou o tesoureiro do Sindicato dos Metalúrgicos de Ponta Grossa, Mauro Pereira.
Na manhã de ontem, havia apenas um comunicado na portaria, assinado pelo advogado da empresa e diretores, informando sobre a situação. Revoltados, os trabalhadores tiveram de retornar para suas casas e aguardar uma decisão judicial sobre o destino da Montesul. Muitos estão com os salários atrasados e com a falência ficarão sem receber até que seja determinado o leilão da Montesul. A empresa tem um patrimônio estimado de R$ 3 milhões.
Os funcionários que atuavam como prestadores de serviços para as empresas clientes da Montesul (Ceval, Batávia, Placas do Paraná e Berneck) tiveram mais sorte. A Ceval, por exemplo, concordou em fazer a rescisão contratual e em seguida readmitir os cerca de 100 trabalhadores que trabalhavam para ela. O sindicato tentaria a mesma negociação com as demais clientes.
Entre os produtos fabricados pela Montesul estavam equipamentos para ventilação de maquinários, tubulação e cobertura para indústrias. A empresa chegou a prestar serviço para a montadora Renault, mas o contrato acabou por agravar a situação financeira da Montesul. A empresa fez um estoque de produtos para a montadora, rejeitados pelo controle de qualidade.
O advogado da Montesul avalia o contrato da Renault como mais uma gota d’ água que contribuiu para afundar a empresa. ‘‘Com os planos econômicos, a Montesul teve de ir buscar dinheiro no mercado financeiro a juros muito altos. Isso foi uma bola de neve com as renegociações’’, afirmou Madureira. Um dos maiores credores, o Banestado chegou a determinar a apreensão de maquinários da Montesul para cobrir uma dívida de leasing. Mas o governo do Estado determinou que a operação fosse cancelada ao perceber que o fato poderia trazer prejuízos políticos.
A Montesul era uma empresa familiar do segmento de metalurgia controlada por cinco irmãos e administrada por um deles, Marino Ferreira. Eles instalaram a empresa em Ponta Grossa há 25 anos e ela chegou a exportar para diversos países da América Latina.

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