A indústria automobilística nacional registrou queda de 24,43% nas vendas no mês de setembro, em comparação com o mês anterior, em decorrência da alta dos juros e do clima de cautela no mercado provocado pela crise internacional. Em comparação com setembro do ano passado, a retração nas vendas é ainda maior, chegando a 36,06%. De nada adiantaram as promoções especiais das concessionárias e facilidades no financiamento. Os estoques encalhados nas fábricas e revendas alcançaram o recorde histórico de quase 200 mil veículos.
A derrocada das vendas desde o mês de maio e a expectativa de agravamento da crise nos próximos meses levou as montadoras a reverem a meta de produção de 2 milhões de unidades este ano. A expectativa agora é de que o número fique ao redor de 1,7 milhão. O total de veículos vendidos no atacado desde o início do ano foi de 970,9 mil unidades, contra 1,3 milhão no ano passado (queda de 25,2%).
Para o ano que vem, o cenário mais otimista é o que prevê um nível de produção equivalente ao de 98. A produção total de janeiro a setembro foi de 1,3 milhão de veículos, contra 1,6 milhão em igual período de 97 (queda de 18,6%).
‘‘Não sabemos se vamos ter este ano o tradicional crescimento das vendas em dezembro’’, afirmou ontem o presidente da Associação nacional dos Fabricantes de Veículos automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto. Segundo ele, o mercado está favorável para o consumidor, que encontra muitas ofertas, descontos, planos de financiamento e outras vantagens.
Mas o problema é convencer o consumidor a assumir prestações neste momento em que o governo prepara um pacote de medidas fiscais e os juros continuam estratosféricos.
No mercado externo, as montadoras instaladas no País também registram queda de 16% no total de veículos exportados em setembro. Em relação a setembro do ano passado o volume caiu 41,11%. Foram exportados apenas 25,8 mil veículos no mês, contra 31,0 mil em agosto e 43,9 mil em setembro do ano passado. Um dos motivos é a maior competição dos concorrentes asiáticos, principalmente da Coréia, em decorrência da desvalorização de 40% da moeda local, o won.
Segundo o presidente da Anfavea, as fábricas brasileiras estão sendo forçadas a reduzir as margens de lucro e aumentar a produtividade para enfrentar o aumento da competição no mercado externo, mas a meta de exportar US$ 6 bilhões já foi revista para US$ 5,5 bilhões.

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