Montadoras vão dar trégua ao governo
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 09 de dezembro de 1997
Agência Estado São Paulo 
À exceção de casos de enxugamento ligados à reestruturação da empresa, como o da Volkswagen, as montadoras não vão demitir por conta do pacote fiscal. Decidiram também não brigar contra as medidas econômicas até abril. Esse é o prazo da crise, segundo acenou o governo para o setor. A partir daí, as taxas de juros - maior preocupação da indústria automobilística hoje - vão baixar. E, até lá, será possível ao setor negociar ainda outros benefícios.
Os dirigentes da indústria de carros se dizem preocupados por não saber o tempo de duração das medidas econômicas. Mas agora eles já têm a direção do governo. E usaram essa informação para tranquilizar a direção das suas companhias, nas matrizes dos países de origem. E, também com absoluta tranquilidade, nenhuma montadora pensou em cortar os pesados investimentos programados na construção de novas fábricas. Todas têm programas de investimento em andamento.
O setor decidiu se valer de algumas medidas paliativas para reduzir o ritmo de produção, com pequenos ajustes, diminuindo jornadas temporariamente, recorrendo a licenças remuneradas. Medidas para dar ao governo a oportunidade de ajustar a economia.
Nas discussões com o governo, a indústria automobilística já conseguiu avançar em negociações de medidas que podem entrar em vigor assim que o período de recessão estiver terminando. O governo acenou com a redução do IOF. A diminuição desse imposto, que foi elevado de 6% para 15% há poucos meses, é importante para uma indústria que concentra mais da metade das suas vendas em financiamento.
Através de sua assessoria de comunicação, o presidente Fernando Henrique informou ontem que não entrará na discussão entre empresas e trabalhadores, que giram em torno da redução do salário e da demissão. As montadoras sempre receberam apoio forte do governo e agora, frente a dificuldades momentâneas, elas devem dar sua contribuição, essas empresas têm um papel importante e têm que colaborar com a economia, afirmou, segundo o relato de George Lamaziere, chefe de gabinete do porta-voz do Palácio do Planalto, Sérgio Amaral.
VolksO presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, decidiu dizer não à proposta de Volkswagen de reduzir salário e jornada em 20%, durante reunião que ocorrerá hoje na montadora, em São Bernardo do Campo. Os 21 mil empregados recusaram a proposta, que segundo o diretor de Recursos Humanos da empresa, Fernando Tadeu Perez, é a única forma de evitar 10 mil demissões na unidade. O problema não está na Volkswagen e sim na economia, disse Marinho. Aceitar redução de salário não vai garantir esses empregos. Perez decidiu não dar entrevistas ontem.
O impasse levou a categoria a marcar protesto para quinta-feira pela manhã, a partir de 7 horas. Preventivamente ontem, empregados da Ford fizeram assembléia recusando qualquer solução que implique na redução de seus ganhos.
Marinho esperou, sem sucesso, até o início da noite, uma resposta ao seu pedido de audiência com o presidente Fernando Henrique Cardoso, a quem pretende solicitar nova instalação de câmaras setoriais para a indústria metalúrgica, para discutir mercado, taxas de juros, margens de lucro, impostos e outros assuntos.


