Montadoras vão cortar 30 mil em 3 anos
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domingo, 11 de janeiro de 1998
Agência Folha 
São Paulo
Arquivo FolhaExcedenteMetalúrgicos protestam na Volks: cortes equivalem às vagas geradas com os novos investimentosAs montadoras de veículos instaladas no Brasil vão eliminar nos próximos três anos cerca de 30 mil dos atuais 106 mil empregos diretos gerados pelo setor. A entrada no País de 12 novas marcas de automóveis até o ano 2000 e os planos de construção de novas fábricas anunciados por Volkswagen, Ford, General Motors e Fiat não serão suficientes para compensar o corte de quase 30% dos empregos nas fábricas já existentes.
Os novos investimentos - estimados em US$ 21 bilhões - devem criar apenas entre 10 e 12 mil novas vagas, o equivalente ao número de demissões que a Volks ameaça fazer na fábrica da Anchieta, em São Bernardo do Campo (Grande São Paulo).
O alerta é dos pesquisadores da indústria automobilística Glauco Arbix e Mauro Zilbovicius, autores e organizadores do livro De JK a FHC - A Reinvenção dos Carros, lançado pela editora Scritta no mês passado. Daqui a três anos, apesar de todos os incentivos do governo à indústria, o número de empregos diretos ficará reduzido a no máximo 90 mil, diz Arbix.
Ou seja, as fábricas já operando no país, somadas às marcas que devem inaugurar unidades até 99 devem produzir em 2000 cerca de 2,5 milhões de veículos com 90 mil trabalhadores.
Na avaliação de Arbix e Zilbovicius, todas as fábricas vão enxugar a folha de pagamento para reduzir custos e aumentar produtividade. As mais atrasadas no processo de reestruturação são a Volkswagen (31 mil funcionários), a Mercedes-Benz (11 mil) e a Ford (11 mil). Juntas, empregam 53 mil pessoas, metade de toda a atual força de trabalho das montadoras. Daí devem sair a maior parte das demissões previstas para os próximos anos.
O regime automotivo foi criado em 95 para estimular a produção de veículos no país. As importações de componentes e equipamentos usados na fabricação dos carros foram liberadas e as alíquotas praticamente zeradas até 2000. Em troca, as fábricas assumiram metas de exportação. O problema é que o regime automotivo brasileiro não condiciona nenhum dos generosos incentivos concedidos às montadoras à manutenção ou geração de empregos, disse Arbix.
A ameaça da Volkswagen de demitir 10 mil funcionários da quarentona fábrica daAnchieta, no ABC, somente foi possível, na avaliação de Arbix, por causa da ausência de uma política industrial. Na prática, o governo federal, Estados e municípios estão dando incentivos fiscais para uma empresa que promete demitir 10 mil funcionários de uma só vez. Ele lembra que, enquanto manda empregados embora no ABC, a Volks obtém estímulos para construir novas fábricas.


