Montadoras testam motores com biodiesel
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sexta-feira, 09 de julho de 2004
Renata Stuani<br> Agência Estado 
São Paulo - As montadoras já começam a testar motores de veículos comerciais com 5% de biodiesel misturado ao diesel. A Volkswagen ampliará em agosto a sua participação no programa de biodiesel do Estado do Rio de Janeiro. A montadora produziu motores e sistemas de injeção para testes em três veículos comerciais que circularão no Estado com a mistura, chamada de B5.
O apoio a combustíveis alternativos foi reafirmado esta semana pelo presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Rogelio Golfarb. O biodiesel pode ser obtido a partir de produtos como soja, mamona, milho e girassol.
Ele acredita que o diesel B2, isto é, a mistura de 2% de biodiesel ao diesel, é o mais adequado neste momento porque dispensa modificação nos motores dos veículos. Mas o programa Riobiodiesel já tem um ônibus com nível B5, cedido pela Volks para monitoramento, e ganhará dois veículos no mês que vem (um ônibus e um caminhão). A montadora foi a primeira do País a participar de um programa do gênero. Os modelos rodarão por 160 mil quilômetros ao longo de dois anos. O seu desempenho será avaliado por engenheiros da Volkswagen e pelos fornecedores. O combustível é fornecido pela Coordenação dos Programas de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Os motores e sistemas de injeção sairão da fábrica de Resende (RJ), que produz caminhões e ônibus.
O presidente da Anfavea lembrou que a decisão do governo de incentivar o biodiesel foi tomada em conjunto com a entidade. ''Vamos continuar a aprovar o projeto'', disse. Ele citou aspectos sociais relacionados à produção de combustíveis alternativos. ''O óleo da mamona, por exemplo, pode ser plantado no semi-árido do Nordeste e servir como meio de inclusão social.''
A ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, afirmou recentemente que o governo pretende regulamentar até novembro a mistura B2. Segundo ela, é possível daqui a alguns anos regulamentar o uso da B5. Segundo ela, depois é possível elevar a participação gradualmente.
De acordo com a ministra, o Brasil tem uma grande vantagem competitiva na produção de combustível verde por seu potencial agrícola. ''Seremos imbatíveis na produção de biodiesel. Acredito que esse produto vai ser uma das commodities mais importantes no futuro'', declarou.
Golfarb concorda e acrescenta que o biodiesel pode auxiliar a reduzir o déficit da balança comercial do Brasil em relação ao diesel. Por ser muito dependente do transporte rodoviário, o País importa 15% dos cerca de 37 bilhões de diesel consumidos por ano , segundo o governo federal.


