Montadoras tentam acabar com estoques
PUBLICAÇÃO
domingo, 07 de março de 1999
Agência Estado 
Montadoras e revendedores querem desovar nesta semana boa parte dos 141 mil veículos que estão encalhados nos pátios das fábricas e das revendas. Levando-se em conta a velocidade dos negócios no mês passado, esse estoque seria suficiente para 107 dias de vendas, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
Além do desconto resultante da queda do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que varia de 6% a 12%, as concessionárias estão oferecendo abatimentos extras. Em São Paulo, a maioria está antecipando a redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que deve resultar em uma nova queda de preços de cerca de 3%. O governador Mário Covas acredita que esse projeto será votado até quinta-feira.
Na sexta-feira, as lojas já registraram movimento superior ao dos últimos dias. Vendemos 10 carros; foi o melhor dia do ano, disse o gerente da revenda Chevrolet Trans-Am, Munir Faraj, de São Paulo. A loja está oferecendo o Corsa Wind a R$ 11,3 mil, 4% abaixo do preço sugerido pela fábrica já na nova tabela. Caso o desconto proporcionado pela queda do ICMS seja superior a esse valor, a concessionária se compromete a devolver a diferença.
A rede Volkswagen no Estado de São Paulo está vendendo Gol Special a R$ 11.650, valor 3,2% menor do que o de tabela. Modelos mais caros podem ser encontrados com descontos maiores e há lojas facilitando o pagamento com cheques pré-datados para quem pretende evitar o financiamento de curto prazo.
Todas as montadoras já divulgaram novas tabelas descontando a redução do IPI. Os carros da Volkswagen tiveram redução de 6,93% a 12,2% e os da Fiat de 7,02% a 12,07%. O modelo mais barato do mercado, o Uno Mille, está custando R$ 9.990. A General Motors reduziu seus preços entre 7% e 11,98% e a Ford, entre 6,7% a 12,1%. A Honda, que só produz o Civic, baixou os preços em 11% e o modelo custa agora entre R$ 24,4 mil e R$ 37,8 mil.
Importados Os importadores que trazem modelos beneficiados pela redução do IPI também estão divulgando novas tabelas. A Kia Motors baixou seus preços em 7%, em média e congelou o valor do dólar a R$ 1,39. Segundo revendedores de todas as marcas, o consumidor está fugindo do crediário e optando pela compra à vista. Na Primo Rossi, concessionária da Volks em São Paulo, as vendas financiadas tiveram queda de 70% em fevereiro.
As vendas de veículos no mês passado caíram 54,4% em relação a janeiro e 61% se comparadas ao mesmo mês de 1998. Entre carros nacionais e importados, foram vendidas no atacado apenas 42.563 unidades, um dos mais baixos resultados da história do setor. No varejo, a queda foi de 40% de um mês para o outro, com vendas de 53 mil veículos.
A redução do IPI terá validade por 75 dias (até meados de maio), podendo ser prorrogado se não ocorrer queda de arrecadação. A medida fez com que os preços dos carros populares e de médio porte praticamente voltassem aos índices de dezembro. Em dois meses, as montadoras reajustaram suas tabelas quatro vezes por causa do aumento de impostos (IPI e Cofins), da defasagem cambial e da inclusão de itens de segurança.
Já a redução do ICMS de 12% para 9% está certa, a princípio, apenas em São Paulo. O presidente da Anfavea, José Carlos Pinheiro Neto, acredita que os demais governadores também vão aprovar a redução pois, do contrário, os carros ficarão mais baratos no Estado, que é responsável pela produção de 70% dos veículos brasileiros. Os demais produtores são Paraná e Minas Gerais, onde estão instaladas a Fiat, a Renault e a Chrysler.


