Montadoras têm resultados positivos em 2006
PUBLICAÇÃO
domingo, 24 de dezembro de 2006
Cleide Silva<br> Agência Estado 
São Paulo - Montadoras brasileiras voltaram a ter lucro no Brasil, depois de anos seguidos de prejuízos. Até empresas que enfrentam profundas crises nas matrizes, como General Motors, Ford e Volkswagen conseguiram resultados positivos. O alívio no balanço financeiro pode garantir novos investimentos, mas o País segue perdendo atratividade para grandes concorrentes como China, Índia e Rússia.
Os mercados internos desses países crescem em ritmo mais acelerado que o brasileiro, apesar do desempenho deste ano, com aumento de 11% nas vendas, para cerca de 1,9 milhão de veículos, e da projeção de 2 milhões de unidades para 2007.
Investimentos estão sendo levados para mercados com capacidade de desenvolver plataformas de produção de mais 200 mil veículos ao ano. O Mercosul só tem duas nessas condições, ambas no Brasil. A Ásia tem 32. A Europa e os EUA têm 25 cada.
Plataforma é como a indústria chama a base onde são produzidos vários modelos de uma mesma família, com versões hatch, sedã, picapes e vans. No Brasil, as únicas linhas com capacidade acima de 200 mil veículos ao ano são a do Gol, Parati e Saveiro, da Volkswagen, e a do Palio, Weekend, Siena e Strada, da Fiat.
''Os investidores buscam plataformas com alta produção e maior competitividade'', diz o presidente da Fiat do Brasil, Cledorvino Belini. Segundo ele, somente com escala para baratear custos será possível competir globalmente e enfrentar o fenômeno ''Chíndia''.
Belini acredita que o Brasil precisaria produzir em média 4 milhões de veículos ao ano para competir com os asiáticos. Se mantivesse ritmo de crescimento de 10% ao ano, o volume seria atingido em 2012, calcula ele. Hoje, a indústria nacional produz 900 mil unidades a menos do que sua capacidade instalada, de 3,5 milhões de veículos.
O executivo aproveita para reclamar da carga tributária, que encarece o preço do carro e dificulta ascensão mais agressiva do mercado. ''No resto do mundo não há efeito cascata de impostos como no Brasil'', completou Belini.
Corrida - Nos últimos anos, países como a China, Índia, Turquia ou mesmo o Leste Europeu deram arrancada forte nos investimentos do setor automotivo. Em outros países, o desenvolvimento apresentou-se menos dinâmico, como no Japão. O Brasil também fez uma ''pausa para respirar'', sem contudo perder sua extraordinária importância para a indústria automobilística, afirma Bernd Gottschalk, presidente da Associação da Indústria Automobilística da Alemanha (VDA).
Em sua opinião, o vencedor da corrida internacional de Fórmula 1 pelo primeiro lugar como mercado mais competitivo será aquele que oferecer o maior potencial de demanda, custos mais atraentes, trabalhadores qualificados, ônus tributário aceitável e estabilidade social.
Investimentos no setor estão voltando, mas não no ritmo dos anos 90, quando ocorreu o boom de novas fabricantes. O aporte das montadoras este ano devem ficar na casa de US$ 1,5 bilhão, pouco acima do ano passado. ''Estamos correndo, mas não no ritmo de competidores como China, Índia e Leste Europeu'', admite o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Rogelio Golfarb.


