Montadoras têm 300 mil veículos nos pátios
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de dezembro de 2008
Karen Camacho<br> Folhapress 
São Paulo - Os fabricantes de automóveis no país vivem, neste final de ano, uma das maiores quedas nas vendas, prejudicadas pela falta de crédito e aumento dos juros. Apesar da produção reduzida, para acompanhar a demanda desaquecida, as montadoras têm 305 mil veículos parados em seus pátios, segundo dados divulgados ontem pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).
Considerando cálculo do mercado de que os veículos representam R$ 40 mil de capital de giro, em média, os pátios cheios representam ao menos R$ 12 bilhões parados. Isso sem contar os custos de manutenção e as perdas com ausência de financiamentos. Também em uma conta aproximada, um estoque como esse representa algo em torno de R$ 4 bilhões em impostos.
De acordo com o presidente da Anfavea, Jackson Schneider, o estoque ao final de novembro representava 56 dias, sendo 25 na indústria e outros 31 nas concessionárias.
A última vez que o setor registrou estoque tão alto foi em setembro de 2001, quando bateu 57 dias. Em outubro deste ano, o estoque estava em 38 dias, sendo 13 na indústria e 25 nas concessionárias.
Além da queda de venda e produção, o mês de novembro também registrou outros dados negativos: houve queda nas exportações e as indústrias registraram a primeira redução de postos de trabalho desde dezembro de 2006. Ninguém levantou investimento de forma irresponsável. A freada foi muito forte e surpreendente, afirmou Schneider.
Com as quedas consecutivas de outubro e novembro, a Anfavea revisou suas projeções de venda, produção e exportação para o ano.
As vendas internas devem encerrar o ano em 2.815 milhões de unidades, e não 3.060 milhões como previsto. Mesmo com a revisão, os licenciamentos ficarão 14,3% acima do registrado em 2007.
No caso da produção, a estimativa caiu de 3.425 milhões de veículos para 3.240 milhões, que ficará 8,8% acima de 2007.
As exportações, antes previstas para somarem US$ 14,5 bilhões, devem terminar 2008 em US$ 13,7 bilhões, alta de 1,5% sobre 2007.


