São Paulo A indústria automobilística parte para nova arrancada em 2004, depois de um ano de vendas fracas e prejuízos. Os negócios patinaram durante todo este ano e, mesmo com a queda do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a reação do último trimestre foi tímida, com o fraco desempenho de vendas no mês de novembro. Num cenário de ferrenha disputa pelo mercado, duas das maiores companhias Volkswagen e General Motors anunciaram a troca de comando. Novos executivos assumem em janeiro com a tarefa de mudar o rumo das deficitárias operações no Brasil. E ajudar o setor a repetir, finalmente, a histórica produção de 2 milhões de veículos.
O cenário econômico favorável deve tornar possível essa meta, atingida apenas em 1997, ano em que teve início o boom de novas montadoras no País. As apostas vão de crescimento de 3% a 15% nas vendas internas que devem se limitar a 1,38 milhão de unidades neste ano e na manutenção das exportações, que atingirão recorde de US$ 5,5 bilhões. ''Com o aquecimento da economia interna e novos acordos bilaterais, o setor chegará a 2 milhões de unidades tranquilamente'', diz o consultor Edgar Viana, da A.T. Kearney.
No novo cenário, a briga será mais por recuperação da rentabilidade do que por participação no mercado. As montadoras terão prejuízos bem superiores a US$ 1 bilhão. A Volkswagen ficará com a maior parcela do ônus. Por isso, a matriz alemã mandou para o Brasil um executivo especializado em corte de custos. O engenheiro Hans-Christian Maergner, de 58 anos, estava da direção da Volks na África do Sul desde 1998. Encontrou a empresa deficitária, e dois anos depois já conseguiu lucros. Renovou produtos, reduziu o número de plataformas e a produção dobrou.
A GM também tira de seu comando um executivo de vendas e coloca outro da área de finanças. Ray Young, que completará 42 anos em janeiro, chefiava as operações financeiras da matriz nos EUA. Tem desafio similar ao do concorrente: dar um basta aos cinco anos consecutivos de perdas no País. ''Definitivamente precisamos ganhar dinheiro'', diz o vice-presidente da GM do Brasil, José Carlos Pinheiro Neto.

mockup