Montadoras retomam investimentos na Argentina
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domingo, 21 de maio de 2006
Agência Estado 
São Paulo - Depois de enfrentar fuga de investimentos, a Argentina começa a receber de volta importantes projetos da indústria automobilística. Com o real valorizado, produzir no país vizinho está em média 30% mais barato comparado ao Brasil. Para escapar da crise cambial, montadoras estão transferindo contratos de exportação para filiais argentinas ou intensificando a produção local de carros de maior valor agregado e de componentes para abastecer também as fábricas brasileiras.
A PSA Peugeot Citroen vai transferir de sua fábrica do Rio de Janeiro para a de Buenos Aires um contrato de exportação de 5 mil unidades/ano do compacto 206 para o México. Com a mudança, o mercado externo passará a responder por 15% da produção da empresa no País, ante 20% no ano passado.
A medida pode se estender para outras montadoras pois as fábricas argentinas, além da diferença cambial, operam com alta ociosidade. ''A transferência pode ser feita sem grandes investimentos adicionais'', diz Letícia Costa, presidente da consultoria Booz Allen.
A Fiat desativou a produção de carros em Córdoba em 2002. Desde então, mantém no país uma ociosa fábrica de motores e componentes. Agora, vai investir US$ 50 milhões para produzir, em 2007, caixas de câmbio para os modelos da Peugeot e da Citroen feitos na Argentina e no Brasil.
A produção local de caixas de câmbio vai passar de 20 mil para 140 mil unidades/ano. A mão-de-obra direta e indireta, hoje de 700 trabalhadores, receberá reforço de mais mil pessoas. Hoje as caixas são importadas da França. Com a produção na Argentina a empresa aumenta o conteúdo de peças feitas no Mercosul, afirma o diretor-geral da PSA no Brasil, Pierre-Michel Fauconnier.
Os planos da PSA para a Argentina também incluem o início da produção, em junho, do Peugeot 307 sedã. No primeiro semestre do próximo ano entrará em linha o Citroën C4. Ambos serão vendidos nos dois países e em outros mercados da região. O C4 terá preço próximo a R$ 65 mil e disputará mercado com Renault Mégane, Toyota Corolla, Honda Civic e Chevrolet Vectra, todos brasileiros.
A Volkswagen é outra grande montadora que retomou projetos no país vizinho. Em 2003, com o fim da produção do Gol, a Argentina não exportou mais nenhum modelo da marca para o Brasil. Este ano, a Volks inaugurou na Argentina a linha da SpaceFox, perua derivada do Fox, projeto que consumiu US$ 100 milhões.


