Montadoras reduzem produção em agosto
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sexta-feira, 24 de julho de 1998
Agência Estado 
A redução de produção no mês que vem será generalizada no setor automobilístico. A General Motors vai dar férias coletivas de 10 dias e reduzir jornada de trabalho em agosto para produzir 200 carros a menos por semana. A Volkswagen decide dia 29 quanto produzir no mês seguinte e medidas para regular seu estoque. A Fiat, a partir de segunda-feira, produzirá 500 veículos a menos por semana. Tudo isso foi anunciado ontem por sindicatos de trabalhadores e montadoras, um dia depois de a Ford ter informado que adotará semana com apenas quatro dias de trabalho para desovar estoque. A esperada redução do IPI não aliviou o setor, que espera vendas baixas nos próximos 30 dias.
Fontes da indústria revelam que o fornecimento de autopeças em alguns casos já está sendo reduzido, o que coloca em risco o emprego em pequenas e médias empresas, principalmente. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, chamou atenção para essa ameaça. Segundo ele, tradicionalmente os fabricantes de autopeças não têm fôlego para manter seu quadro de funcionários por longo período de crise. Desde junho, as montadoras vêm reclamando do nível de encalhe e adotando medidas para alterar o ritmo de produção.
A Volkswagem fez ontem uma simulação do efeito de eventual redução do IPI em seus preços. Segundo o diretor de Recursos Humanos da empresa, Fernando Tadeu Perez, caso o IPI caia cinco pontos percentuais, o preço final do veículo que sai da fábrica será de 2,5% a 3% menor. O revendedor pode ou não fazer o percentual chegar ao consumidor, já que se suspender os descontos que quase todos vêm aplicando, o efeito será nulo.
Segundo Perez, a esperança de retomada dos negócios está fazendo com que a Volks seja cautelosa na sua programação para agosto, sem decisões precipitadas sobre paralisação da linha de montagem. Há muitas incertezas e por isso ainda não decidimos por férias coletivas, redução de jornada ou qualquer outra medida para reduzir a produção, disse. No estoque, há 10 mil carros nos pátios da Via Anchieta, em São Bernardo do Campo e 6 mil nos pátios de Taubaté, sem contar encalhe em lojas. Quarta-feira, a direção se reúne para discutir o assunto.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano do Sul, Aparecido Inácio da Silva, informou que a General Motors deixará de produzir 200 carros por semana em agosto por conta da redução da carga semanal de trabalho, de 44 horas e meia por semana para 42 horas. Isso significa queda de 6,7% no volume atual de carros fabricados.
Além disso, entre os dias 24 de agosto e 4 de setembro, a GM vai parar suas linhas de montagem em São Caetano, no ABC Paulista, e em São José dos Campos (SP). Ao todo, perto de 13 mil funcionários ficarão em suas casas no período. No caso de São José, não haverá alteração na jornada. Férias coletivas significam cancelamento de pedidos de autopeças e por isso tememos que comece a haver demissões nas empresas fornecedoras, disse Silva.
A Fiat, com fábrica em Betim (MG), decidiu que montará 2,1 mil veículos por dia a partir do dia 27, e não mais 2,2 mil como vinha fazendo.


