São Paulo A indústria automobilística, que registrou dois meses seguidos de aumento de produção e vendas, trabalha com perspectivas mais animadoras para este fim de ano e início do próximo. A junção de dados econômicos favoráveis como queda dos juros e da inflação levaram as empresas a prever resultados um pouco melhores que os previstos anteriormente. A retomada de mercado vem acompanhada de novo reajuste de preços. No início de dezembro os carros vão ficar em média 5% mais caros.
O aumento será resultado do fim do acordo de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em 3 pontos porcentuais e do repasse de aumento de custos, entre os quais o da folha de salários. Em São Paulo, a maioria das montadoras está concedendo reajustes de 18% aos funcionários. ''Não temos como segurar os preços'', disse o diretor da Ford, Rogelio Golfarb. O repasse aos consumidores, segundo ele, deve ser de aproximadamente 5%.
A redução do IPI, em vigor desde agosto, vai acabar no fim do mês, garante o Ministério da Fazenda. ''Independente da volta do IPI, acreditamos em continuidade de crescimento das vendas'', disse o vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea), Persio Luiz Pastre.
O corte do imposto foi item importante na recuperação dos negócios. Em outubro, a produção de veículos cresceu 1,7% ante setembro. As vendas aumentaram 12,6%, com 140,7 mil unidades, o melhor resultado desde maio de 2001. Outro fator de destaque na retomada, disse Pastre, é o aumento das vendas financiadas. No mês passado, 60% dos negócios foram por meio de crediário, ante uma média de 52% nos últimos meses.
''O consumidor está mais confiante de que terá condições de pagar prestações futuras'', disse o executivo. Segundo seus cálculos, a indústria pode encerrar o ano com vendas de 1,36 milhão de unidades, 7% menor do que em 2002. A conta anterior era de queda de 10%. As exportações também devem superar os US$ 5,1 bilhões previstos no mês passado. Pastre avalia um mercado ainda melhor em 2004, mas não o suficiente para reduzir significativamente a ociosidade do setor, hoje em 44%. ''Precisávamos de uma alavancagem imediata de 20% para mudar esse quadro.''

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