Embora tenha havido uma queda em abril de 19,9% em relação a março, a produção das montadoras de veículos do Paraná no primeiro quadrimestre do ano indica que o setor está reagindo, seguindo a tendência do mercado nacional que espera recuperar-se e pelo menos repetir os resultados de 1998. Entre janeiro e abril foram produzidas no Estado 30.744 unidades, o que equivale a 6,16% da produção brasileira no período, de 499.197 veículos.
Os números foram divulgados ontem pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-econômicos (Dieese). No primeiro quadrimestre do ano passado, saíram das fábricas paranaenses 4.053 veículos, mas como se tratava do início de operações das indústrias no Estado, o Dieese considera o número apenas como registro e não para efeito de comparação.
Os números deixam otimistas diretores do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, que estão conseguindo vantagens para a categoria e assistindo, em algumas empresas, a contratação de novos funcionários.
Segundo o Dieese, a produção paranaense em abril foi de 8.568 veículos, entre carros, camionetas, caminhões e ônibus, contra 10.698 do mês anterior. A redução, segundo o economista Cid Cordeiro, foi conjuntural em função da greve dos fiscais da Receita Federal, o que impossibilitou a importação de peças e causou ociosidade em linhas de produção.
A boa notícia, na opinião do técnico do Dieese, é a recuperação do mercado. Nos primeiros quatro meses deste ano a produção nacional de veículos cresceu em torno de 25% em relação ao mesmo período do ano passado, quando saíram das indústrias 401 mil unidades. Ao que tudo indica, diz Cordeiro, a produção deve subir bem mais no próximo semestre, em virtude principalmente de acordos com o México, Europa e América do Norte, além do reaquecimento da economia interna.
A produção nacional em 98 foi de 1,58 milhão de veículos e a projeção para este ano é de chegar até a 1,7 milhão. O Paraná deve responder por cerca de 10% deste total, o que significa, ressalta o economista, maior produção e
consequentemente ampliação da oferta de mão-de-obra. A Volksvagen/Audi, inclusive, estaria já preparando a contratação de outros 400 funcionários, elevando seu quadro de pessoal dos atuais 2.400 para 2.800 empregados.
A retomada da produção, como sempre, está sendo tratada com cautela pelo Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, que representa aproximadamente 16 mil trabalhadores de cerca de 2.500 empresas. Segundo o presidente interino da entidade, Cláudio Gramm, as grandes empresas, consideradas aquelas que empregam mais de 700 pessoas, estão negociando desde o começo do ano a Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
Segundo o Sindicato, estão praticamente fechados acordos com as quatro maiores montadoras – Volvo, Renaut, Volks e New Holland – e com a fábrica de peças Bosch, para o repasse aos funcionários da PLR. Ao todo, devem ser liberados, até o começo de julho, a primeira parcela, que equivale a R$ 5,9 milhões.
Isso, na opinião dos sindicalistas, representa aquecimento da economia porque será dinheiro novo circulando no mercado. ‘‘É um avanço e o trabalhador tem consciência’’, disse Gramm.
Cada empresa tem seus critérios específicos, sendo que a maioria acompanha o modelo de cumprimento de metas. ‘‘Elas também têm um ganho excelente, porque conseguem maior produtividade e qualidade do produto, satisfação do cliente e mais condições de competitividade’’, alega o diretor sindical.
O repasse da parcela das participações deve começar pela Volksvagen/Audi, no próximo dia 21. Os 2.400 funcionários receberam R$ 700, totalizando R$ 1,68 milhão. No dia 23 os 1.800 empregados da Renaut vão receber R$ 675, o que soma R$ 1,215 milhão. Dia 30 a Bosch deverá repassar R$ 1,742 milhão aos 3.485 funcionários, o que dará R$ 500 para cada. Embora dependa de uma assembléia, está programado para o dia 7 de julho o pagamento dos 750 funcionários da New Holland. Será um total de R$ 375 mil, significando também R$ 500 por empregado.

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