São Paulo - As montadoras Volkswagen, Fiat e Ford revisaram para baixo as estimativas de vendas de automóveis e comerciais leves no Brasil este ano. Em outubro, as empresas previam crescimento de 6% no mercado interno em 2004, mas agora admitem que o aumento deve ficar em torno de 3% em relação a 2003.
O presidente da Ford na América do Sul, Antônio Maciel Neto, afirma que a empresa previa que o mercado interno chegasse a comprar 1,5 milhão de automóveis este ano, ou 8% a mais do que em 2003. Mas revisou o número para 1,4 milhão. O superintendente da Fiat Auto na América Latina, Cledorvino Belini, e o diretor de Marketing e Vendas da Volks, Paulo Sérgio Kakinoff, fizeram o mesmo, levados pelo desempenho do setor nos primeiros meses do ano.
A Fiat e a Volkswagen registraram aumento de 2,5% a 3% nas vendas diárias de automóveis no primeiro quadrimestre, em relação ao mesmo período de 2003. ''É um crescimento, mas é insuficiente'', diz Kakinoff. Para Belini, ''apesar da queda da taxa básica de juros de dez pontos porcentuais de abril do ano passado para este ano (de 26% para 16%), o consumidor está inseguro''. A Fiat defende uma reestruturação tributária para o setor automotivo, com o objetivo de tornar os carros mais acessíveis.
Segundo Belini, o mercado interno não pode ficar abaixo de 1,3 milhão de automóveis, caso contrário o País poderá perder investimentos. De acordo com dados da Fiat, o preço de 50% dos automóveis vendidos no Brasil está abaixo de R$ 23 mil. ''Há uma demanda latente, ao mesmo tempo em que há uma capacidade ociosa da indústria de cerca de 40%'', afirma.
Belini, da Fiat, e Maciel, da Ford, concordam num ponto: a redução emergencial do IPI para os automóveis não resolve o problema do setor. Os dois executivos avaliam, porém, que, apesar da timidez do mercado interno, o Brasil pode voltar a fabricar cerca de 2 milhões de veículos em 2006 por causa das exportações. A indústria nacional alcançou este número de produção em 1997, feito que nunca mais se repetiu. Este ano, conforme estimativas das montadoras, o número vai ficar próximo disso, atingindo 1,9 milhão. Atualmente, o setor está sendo puxado pelas exportações e pelo bom desempenho das vendas internas de veículos comerciais, como caminhões e máquinas agrícolas.
Maciel informou que o custo de produção de um automóvel subiu, em média, de US$ 4 mil no ano passado para US$ 4,7 mil por causa do aumento de preço de componentes como aço. ''Mesmo assim, continuamos muito competitivos para exportar'', disse. Maciel lembrou que, sobre este preço, incide cerca de 40% de carga tributária para vendas internas.
A Anfavea e mais nove associações representantes dos setores de eletroeletrônicos, máquinas e equipamentos, entre outros, enviaram ao ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, carta solicitando a intermediação do governo nas negociações com as siderúrgicas para que elas interrompam os aumentos constantes.

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