São Paulo - A indústria automobilística, considerada um dos principais setores da economia, prepara-se para seu melhor ano de produção desde que os primeiros automóveis deixaram as linhas de montagem, no fim da década de 50. O setor vai produzir 2,1 milhões de veículos, um aumento de 15% ante 2003. As vendas internas apresentam reação há três meses, mas as exportações é que devem puxar esse resultado. Até dezembro, as empresas esperam exportar US$ 7,5 bilhões, outro recorde histórico.
O mercado externo deve responder por 30% da produção nacional, com cerca de 630 mil veículos, 17,8% a mais que em 2003. Em valores, o salto será de 36%. Segundo o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Rogelio Golfarb, a exportação de caminhões, que até julho cresceu 142% (para 14.282 unidades), e de tratores pesa na conta por tratarem-se de produtos de alto valor agregado.
''Também ganhamos mercado de carros pequenos, pois nossos produtos são competitivos e modernos'', diz Golfarb. Ele ressalta ainda que houve aquecimento no mercado mundial, incluindo países que são grandes consumidores de carros brasileiros, como México, Argentina e Venezuela. Entre janeiro e julho, as exportações já somam US$ 4,3 bilhões, 56% a mais que o mesmo período de 2003.
A produção do mês passado, de 188,6 mil veículos, foi a melhor para um mês de julho na história do setor. No acumulado do ano, foi fabricado 1,23 milhão de unidades, 18% a mais que no ano passado. As vendas internas cresceram 12,3%, para 856,9 mil unidades. ''São os primeiros sete meses de crescimento nos últimos seis anos'', afirma Golfarb. O executivo, entretanto, ainda reclama do mercado interno, que deve fechar o ano com vendas de 1,54 milhão de unidades, apenas 7,8% acima de 2003. Por considerar esse desempenho baixo, a Anfavea ainda não prevê novos investimentos. ''O momento é de observação, pois só de exportação não se vive'', diz Golfarb. O setor ainda não vê sinalização sólida para iniciar novo ciclo de investimentos, como ocorreu entre 1990 e 1997, quando foram investidos mais de US$ 15 bilhões.
As montadoras iniciaram o ano com previsão de produzir 1,9 milhão de veículos e só ontem refizeram os cálculos, já antecipados pelas fábricas de autopeças. Apesar do recente problema de falta de matéria-prima e peças, Golfarb acha que não haverá dificuldades em confirmar a meta. Os fornecedores devem promover investimentos para evitar gargalos, acredita.
O melhor resultado do setor em produção foi em 1997, com 2,069 milhões de veículos. Apesar de expressivo, o volume que será atingido em 2004 chegou a ser previsto para seis anos atrás, antes de o mercado automobilístico ser atropelado por uma série de fatores negativos, como as crise na Ásia e na Rússia, desvalorização cambial e calote da Argentina. Todos eles afetaram a economia local, prejudicando também o comércio de bens duráveis.

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