Montadoras prevêem mais demissões
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terça-feira, 12 de janeiro de 1999
Agência Folha 
Não são apenas os funcionários da Ford que estão ameaçados de perder o emprego. Nas próximas semanas, outras montadoras de automóveis devem anunciar novas demissões para ajustar a produção ao ritmo de vendas. A previsão é de José Carlos Pinheiro Neto, presidente da Anfavea, a associação dos fabricantes de veículos. Se o consumo cair, as demissões continuam, diz.
Nos últimos 12 meses, as montadoras fecharam 10.728 postos de trabalho, segundo números oficiais divulgados ontem pela Anfavea. As fábricas, que tinham 106.085 trabalhadores no final de 1997, terminaram o ano passado com 95.357 funcionários.
Esse total não inclui as 2.800 dispensas anunciadas pela Ford no final do ano passado, e ainda não homologadas. O número de demissões só não foi maior em 1998, porque em agosto as montadoras se comprometeram com o governo a suspender as dispensas em troca da redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) sobre os carros, que voltou a aumentar este ano. O estoque de medidas de flexibilização está praticamente zerado , afirma Pinheiro Neto. Esgotamos as possibilidades de conceder férias coletivas e usar o banco de horas. Existem empregados que não podem mais tirar férias até 2001
Apesar de uma forte redução nos estoques no final do ano - 62 mil carros encalhados a menos entre novembro e dezembro - as montadoras não estão otimistas e temem que 1999 comece com vendas em queda novamente. A diminuição de 34% no estoque em apenas 30 dias é resultado, avalia Pinheiro Neto, da paralisação da produção no mês passado, do pagamento do 13º salário e do alerta feito pelas fábricas de que o carro iria ter preço mais alto em janeiro. Em 30 de novembro, fábricas e revendas tinham 183.640 carros. O estoque caiu para 121.301 unidades em 31 de dezembro.
Vamos ter que aumentar os preços dos carros outra vez em fevereiro, avisa Pinheiro Neto. A culpa, diz o presidente da Anfavea, é do governo, que elevou o PIS e a Cofins, o que deve tornar os veículos cerca de 3% mais caros. Nossas margens de lucro não nos dão condição de absorver a alta dos custos. O aumento será repassado para o preço, diz. Esse será o segundo reajuste do ano provocado por alta de impostos. Por causa do IPI maior, as fábricas já aumentaram os preços em até 4,5% este mês. Com a elevação dos preços, as vendas devem cair, o que provocará redução de produção e mais demissões, explica Pinheiro Neto.
A venda de veículos no atacado (da fábrica para a concessionária) caiu 21% no ano passado em relação a 1997. A queda no varejo (da concessionária para o consumidor) foi praticamente a mesma: cerca de 20%. Sem clientes nas lojas, as fábricas cortaram em 24% a produção, que caiu de 2,069 milhões de unidades, para 1,573 milhão, o pior desempenho do setor na era do Plano Real.
Para 1999, a Anfavea prevê produzir entre 1,4 milhão (o número mais pessimista, segundo Pinheiro Neto) e 1, 7 milhão de veículos. A venda de carros produzidos no País (sem considerar os importados) deve ficar entre 1,1 milhão e 1,2 milhão, resultado semelhante ao de 1998. As vendas só aumentarão se ocorrer um evento excepcional, como a aprovação do programa de renovação de frota , diz o presidente da Anfavea. Nesse caso, prevê que as vendas atinjam 1,8 milhão de carros.


