Curitiba Apesar da entrada da indústria automotiva no Paraná, o perfil do emprego direto e indireto no Estado não deve se alterar significativamente nos próximos anos. Isso porque as montadoras instaladas no Estado como Renault/Nissan e Volkswagem/Audi trabalham vinculadas a um sistema de fornecimento mundial de peças e recorrem pouco ao mercado local.
As montadoreas só se transferiram para o Estado por causa do benefício fiscal, disse o professor Walter Tadahiro Shima, do Departamento de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Ele reconhece que as montadoras paranaenses trouxeram empresas terceirizadas, parceiras em nível mundial, e também algumas fornecedoras. Mas destaca que não há qualquer compromisso com a criação de rede de fornecimento em grande escala e de empregos porque a estratégia dessas empresas é recorrer sempre a fonecedores globais.
Segundo Shima, não se pode traçar um paralelo entre a rede de fornecedoras que se criou em torno das montadoras paulistas e das montadoras paranaenses. Segundo ele, principalmente as montadoras que vieram para o Paraná apresentam estruturas mais modernas e globalizadas, em relação às existentes em São Bernardo do Campo (SP) e criaram um um número restrito de postos de empregos. A Renault emprega hoje cerca de 2.890 funcionários e a Volkswagem/Audi, 3 mil empregados. ''E esses empregos vêm sendo mantidos com muito custo por causa da mobilização dos sindicatos'', disse o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos, Núncio Manalla.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região Metropolitana, Claudio Gramm, lamenta que o governo do Estado não tenha vinculado os incentivos dados às montadoras a investimentos e compromissos sociais. ''Elas só trabalham em cima de lucratividade e quando o governo assinou um protocolo com elas, era o momento de amarrar os benefícios às cláusulas sociais'', afirmou.
Segundo Manalla, os empregos na Renault vêm sendo mantidos em cima do desemprego nas fornecedoras e empresas terceirizadas. Com a impossibilidade de demitir por causa da pressão do sindicato, as terceirizadas à montadora demitiram e os trabalhadores da Renault estão sendo realocados para esses postos, explicou o sindicalista.
Para o governo do Estado, o processo de industrialização do Paraná, que teve como âncora a instalação das duas montadoras, está gerando benefícios. A Secretaria da Fazenda contabiliza um acúmulo de ICMS que ultrapassa a marca de R$ 1 bilhão. A maior parte desse dinheiro entrará no Tesouro Estadual nos próximos quatro anos. A primeira parcela, de R$ 12,7 milhões, será incorporada aos cofres públicos até o final deste ano. De acordo com o governo,o programa de industrialização atraiu para o Estado 254 novas indústrias e criou 155 mil nos postos de trabalho. Os recursos que seriam recolhidos aos cofres do Estado foram investidos pelas empresas na compra de máquinas, equipamentos e na contratação de funcionários.

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