Montadoras investirão US$ 17 bi até 2000
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segunda-feira, 26 de maio de 1997
Agência Estado, do Rio de Janeiro 
A indústria automobilística investirá US$ 17,180 bilhões no Brasil entre 1996-2000. Desse total, a maior parte, US$ 11,860 bilhões, vem de montadoras já instaladas no País, conforme revela um estudo setorial feito pela economista Ângela Medeiros, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O trabalho deixa claro que, apesar da corrida dos Estados por novas montadoras, os investimentos do setor, anunciados por empresas que pisam no País pela primeira vez, como a Renault, Peugeot, Toyota e BMW, para citar algumas, somam, apenas, US$ 5,320 bilhões. Ou seja, cerca de 60% do total previsto pelas montadoras já instaladas no Brasil.
As empresas automobilísticas que operam no país estão mais otimistas com a perspectiva de crescimento, enquanto as novas investirão pouco para fazer um teste de mercado, disse Ângela Medeiros. Seus números revelam que se todos os investimentos forem confirmados, o Brasil contará com 11 montadoras de carros e picapes e oito de caminhões, passando a sexto lugar no ranking mundial de produtores.
Em outras palavras, o Brasil é hoje o país onde se programa o maior volume de investimento da indústria automobilística mundial. Para o ano 2000 há estimativa de produção de 2,5 milhões de veículos, 38% superior à produção de 1996 e de 500 mil veículos na Argentina, 60% maior que à de 1996. As vendas internas, considerando-se as importações, cresceram 126,5% entre 1992 e 1996. Essa alta vem chamando a atenção do mercado internacional, disse Medeiros.
Os investimentos previstos para o país obedem a uma nova estratégia das montadoras de realizar operações integradas no Mercosul. Ou seja, segmentar as áreas de produção de modo a ganhar escala e reduzir custos. A Ford, por exemplo, decidiu fabricar o Fiesta no Brasil e o Escort na Argentina, o que vai aumentar a produção dos dois modelos, explicou a encomista do BNDES. Por essa razão, o programa de investimento tanto no Brasil quanto na Argentina será realizado de forma conjunta.
A nova programação de investimentos das montadoras define linhas de produção específicas para Brasil e Argentina. O país produzirá veículos de maior escala, como os carros de menor porte e os modelos populares, responsáveis por 69% das vendas da indústria automobilística. As fábricas da Argentina serão especializadas na produção de carros médios e grandes, que perderam mercado no Brasil entre os anos de 1991 e 1996. O efeito do comércio bilateral entre os maiores produtores do Mercosul no setor, no entanto, ainda é incerto, segundo Medeiros.
De acordo com o estudo do BNDES, o investimento em automação das fábricas provocou forte redução de pessoal. A relação produção/emprego cresceu 73,5%, entre 1992 e 1996, atingindo o total de 17,7. Com os projetos previstos, estima-se que haverá um aumento desta relação para 37,3, sendo 44,6 a média para algumas fábricas de carros e 22,5 para caminhões e ônibus,conforme dados do Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Sócio-Econômicas (Dieese).


