Os dirigentes da indústria automobilística começam, a partir de segunda-feira, uma série de visitas aos Estados. A idéia é estender a redução de ICMS, proposta pelo governador de São Paulo, Mário Covas. ‘‘Somente o Garotinho (Anthony Garotinho, do Rio de Janeiro) concordou até agora’’, disse o presidente da Anfavea, José Carlos Pinheiro Neto. Em São Paulo, falta apenas a aprovação da Assembléia Legislativa para reduzir o ICMS dos carros de 12% para 9,5%.
Segundo Pinheiro Neto, o governador do Paraná, Jaime Lerner, deve ser o primeiro da lista de visitas. Em seguida, o grupo pretende se encontrar com Itamar Franco (MG) e Olívio Dutra (RS). A Anfavea já convidou, para as visitas, sindicalistas, representantes da indústria de autopeças e concessionários.
Ontem a Ford decidiu participar do acordo automotivo. Isto significa que a montadora vai dar o bônus de R$ 375 para os modelos populares, evitando, assim, aumento de preços. A decisão da Ford foi tomada depois de uma reunião da direção da empresa com representantes dos concessionários da marca. Até a assinatura do acordo, ontem, a empresa não havia confirmado adesão. A montadora não anunciou oficialmente a decisão e nem atendeu a imprensa ontem. A notícia foi veiculada por meio da Associação Brasileira dos Distribuidores Ford (Abradif), que representa os concessionários. Num comunicado, a Abradif anunciou que irá ‘‘praticar preços competitivos, conforme condições definidas para a redução do IPI e ICMS’’.
O decreto do acordo emergencial, que fixou alíquotas de
IPI de 7% para carros populares e de 20% para os médios, será publicado no Diário Oficial da União hoje. O presidente da Anfavea foi a Brasília no final da tarde para informar pessoalmente ao governo a decisão da Ford. Ele esteve com o secretário de política industrial do Ministério do Desenvolvimento, Hélio Mattar. Depois da reunião, o setor se animou a percorrer os Estados para tentar estender a proposta de Mário Covas, que prevê ICMS de 9,5% para os carros.
O presidente da Anfavea quer levar para as visitas aos Estados um grupo de peso, que seria formado pelo presidente do Sindicato da Indústria de Componentes (Sindipeças), Paulo Butori, o presidente da Federação da Distribuição de Veículos (Fenabrave), Hugo Maia, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, e o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva.
Pinheiro Neto espera contar ainda com o reforço de Mário Covas, nem que seja por meio de telefonemas. ‘‘O aval de Covas foi extremamente importante para o acordo’’, destacou o presidente da Anfavea. O executivo elogiou ainda o empenho do governador de São Paulo, ‘‘que passou horas’’ participando das discussões do acordo, que duraram dois dias. Depois de Jaime Lerner, os dirigentes da indústria querem encontrar, Itamar Franco (MG) e Olívio Dutra (RS). ‘‘Apenas o Garotinho (Anthony Garotinho, do Rio de Janeiro) confirmou concordar com o ICMS de São Paulo’’, disse Pinheiro Neto.

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