Curitiba - A queda na produção de carros no pólo automotivo do Paraná foi maior do que a média brasileira. Conforme o balanço da produção de veículos divulgado ontem pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região, a redução na fabricação de veículos no Paraná atingiu 29% no primeiro semestre deste ano. Enquanto isso, no Brasil ficou em 11,11% de janeiro a julho, em comparação com mesmo período do ano passado.
A na produção de carros no Paraná enfrenta problemas porque as montadoras instaladas no Estado não fabricam modelos populares, que atualmente respondem por mais de 70% dos carros vendidos no País - disse o diretor do sindicato, Clementino Tomaz Vieira. No Paraná, o modelo produzido mais barato é o Clio, da Renault, cujo custo mínimo é de R$ 19 mil. ''E os veículos mais vendidos estão bem abaixo desse valor'', comparou.
Conforme balanço do sindicato, no primeiro semestre de 2001 foram produzidos no Estado 100 mil veículos. Neste ano, no mesmo período, a produção ficou em 70.422 veículos. No Brasil, foram fabricados 983.181 carros no primeiro semestre do ano passado e 890.054 unidades neste ano. No País, a queda na produção vem sendo provocada pelas fracas vendas, que não reagem ao cenário de instabilidade econômica.
Só nos pátio de duas montadoras paranaenses estão parados cerca de 41 mil veículos, sendo 6 mil na Volkswagem e 35 mil na Renault. O número inclui também o estoque encalhado nas concessionárias. Para evitar a demissão de mais trabalhadores, a Renault já está adotando a semana de quatro dias, com trabalho de segunda a quinta nas próximas três semanas. Na última semana de agosto, a montadora paralisa suas atividades na semana inteira. Nas interrupções previstas em agosto, a Renault deixa de produzir 3.480 carros - calculou Vieira.
O que tem ''salvado'' a produção de carros, segundo o sindicalista, são as exportações. Esse mercado beneficia mais a Volks, com as vendas do veículo Golf para Canadá, Estados Unidos e México. Mesmo assim, as exportações paranaenses no primeiro semestre deste ano caíram 22,14% em relação a igual período do ano passado. No período janeiro a junho de 2001 foram exportados 32.342 carros e este ano 25.181 carros. Só na Renault, a queda nas exportações foi de 71,75%, quando a montadora suspendeu as exportações para a Argentina.
Com a retração nas vendas para os mercados interno e externo, foram cortados 266 postos de trabalho este ano. De acordo com os sindicalistas, as montadoras já estão trabalhando com uma estrutura enxuta e ''qualquer redução mais drástica pode comprometer a sustentação das plantas automotivas no Paraná''.

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