Montadoras do Estado produziram 173% mais
A produção de carros nas montadoras instaladas no Paraná apresentou crescimento de 173% no ano passado em relação a 1999. Com o aumento acima da média nacional, que ficou em 23,7%, a indústria automotiva paranaense passou a ter uma participação de 7,8% na produção brasileira, ficando como o terceiro maior Estado fabricante de automóveis do País, atrás de São Paulo e Minas Gerais e à frente do Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Apenas a Chrysler e o setor de tratores e colheitadeiras tiveram redução no número de unidades vendidas.
Os números foram calculados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio Econômicos (Dieese) com base em dados fornecidos pelas próprias montadoras, Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba. Pelo levantamento apresentado ontem, a montadora Volkswagen/Audi foi a que teve maior impulso na produção. A fábrica de São José dos Pinhais multiplicou por quatro a fabricação do Audi A3 e do Golf, passando de 15,6 mil unidades, em 99, para 64,3 mil no ano passado.
Isso, no entanto, não foi motivo para ampliar a contratação de pessoal. A montadora iniciou este ano com anúncio de demissão de 350 metalúrgicos. Metade trabalhava em regime de contrato temporário. O Sindicato dos Metalúrgicos prevê novos desligamentos. Em abril acaba o prazo de mais 300 contratos temporários. Tememos novas demissões, afirmou o primeiro secretário do sindicato Clementino Tomaz Vieira. O próprio sindicato, no entanto, admite que a Audi vinha operando com excedente de pessoal para a quantidade de carros fabricados.
Toda a cadeia produtiva do setor automotivo instalado no Paraná gerou 18,6 mil empregos conforme levantamento do Dieese, sendo que as montadoras totalizam 8,5 mil postos de trabalho. Isso dá uma geração de 2,2 empregos indiretos para cada direto, calculou o economista Cid Cordeiro.
A estimativa para este ano é de aumentar ainda mais a produção e por consequência as vendas. As montadoras apostam na exportação de veículos. Em 1999, elas exportaram 12% da produção, enquanto, no ano passado, foi 38,5%. A Audi vendeu 34,6 mil carros para os Estados Unidos e Argentina, quantia dez vezes maior do que em 99. A Renault passou de 2 mil carros exportados para 14 mil. (C.M.)





