Montadoras descartam demissão
PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de agosto de 2001
Cleide Silva<BR>Agência Estado 
A indústria automobilística, um dos termômetros da economia, está se rendendo aos sinais de enfraquecimento neste segundo semestre e refez suas projeções para este ano. As fábricas devem produzir cerca de 100 mil carros a menos que o inicialmente esperado, que era de 1,9 milhão de veículos. As vendas, antes previstas em 1,7 milhão de unidades, devem cair na mesma proporção. Apesar disso, nenhuma das grandes fabricantes fala em mexer no nível de emprego.
O setor emprega 95 mil trabalhadores e a maioria das empresas já deu férias coletivas nos últimos dois meses. Mesmo que essas baixas se confirmem, os resultados deste ano ainda serão melhores que os de 2000, quando foram produzidos 1,68 milhão de veículos e as vendas internas somaram 1,48 milhão de unidades.
O reflexo dessa queda já chegou aos fabricantes de autopeças, que registraram redução nas encomendas e passaram a trabalhar com perspectiva de faturar 10% a menos em relação aos US$ 12,5 bilhões esperados. O presidente do Sindicato Nacional dos Fabricantes de Autopeças (Sindipeças), Paulo Butori, diz que as empresas estão negociando com os trabalhadores a criação de banco de horas para evitar demissões. Mas avisa que, sem acordos, não poderão ''sustentar pessoas varrendo fábricas ou pintando paredes.''
As autopeças empregam 178 mil pessoas e estão operando com 30% de ociosidade. Os trabalhadores que são representados pela Força Sindical já aceitaram o banco de horas, que permite a ampliação ou redução da jornada de acordo com a demanda. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) recusou.
Volker Barth, presidente da Delphi, uma das maiores produtoras de autopeças do País, diz que o setor automobilístico volta a viver ''uma fase turbulenta'' e de incertezas.


