As montadoras de veículos do Paraná demitiram 1.438 funcionários no ano passado e outros 1.270 foram atingidos por lay-off e férias coletivas. O levantamento foi realizado pelo Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba. O segmento foi muito afetado pela redução das exportações para a Argentina e pela diminuição na demanda no mercado interno. Além disso, o aumento das restrições para a concessão de crédito também influenciaram a queda de vendas no setor. Com todo este cenário, as fábricas tiveram que reduzir a produção para ajustar os estoques altos. E a tendência para este ano é que as demissões tenham continuidade.
O economista do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Francisco José Gouveia de Castro, acredita que as demissões vão continuar em 2015 no setor automotivo. "O setor vai ter que passar por ajustes com a diminuição da demanda", afirmou.
Segundo ele, as montadoras devem sofrer ainda queda de vendas com o retorno ao normal das alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). "A demanda atingiu o topo e a taxa de juros é crescente. Os problemas que o setor enfrentou em 2014 tendem a se agravar em 2015. As demissões devem continuar no mesmo ritmo", prevê Castro. Segundo ele, em 2015 o setor ainda deve sofrer os impactos do ano passado.
Castro disse também que o setor automotivo é um dos que mais sofre com a macroeconomia brasileira. Além disso tudo, a inflação tem tirado o poder de compra da população e, segundo ele, o automóvel é uma decisão de compra que o consumidor toma a longo prazo.
O economista ainda destacou que o segmento vai sofrer o impacto do aumento do custo das peças importadas com a valorização do dólar. Isso também vai pressionar o preço do veículo. Para ele, o setor vai depender da política econômica da equipe da presidente Dilma Rousseff e de quatro elementos fundamentais: juros, inflação, condições de crédito e câmbio.
Segundo os últimos dados disponíveis do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes a 2012, o setor tem 16,7% de participação no Valor da Transformação Industrial (VTI) do Paraná. Alimentos participa com 22,1% e derivados de petróleo com 15,8%.
No ano passado, o maior impacto para o resultado geral das exportações do Paraná veio da indústria automotiva que teve redução de US$ 743 milhões em receitas e caiu de US$ 1,98 bilhão em 2013 para US$ 1,24 bilhão no ano passado, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Só para a Argentina, as exportações brasileiras de veículos caíram 55%.

BALANÇO
O balanço do ano divulgado pela Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostrou que o setor demitiu 12,4 mil pessoas em 2014 no País. No ano passado, a produção teve queda de 15,3%, o licenciamento de carros novos caiu 7,1% e as exportações tiveram redução de 40,9%. Para este ano, a previsões são de aumento de 4,1% na produção, estabilidade nos licenciamentos e elevação de 1% nas exportações.
Para a Anfavea, a produção deve aumentar porque haverá redução nas vendas de importados com o dólar mais caro. Em 2014, os importados tiveram 17,6% de participação nas vendas de veículos e, para este ano, a previsão é que este percentual caia para 16%. A entidade prevê um ano um pouco melhor que 2014.
A associação dos fabricantes informou ainda que a maioria das demissões que ocorreram em 2014 foram através de programas de demissão voluntária ou motivadas por fim de contratos temporários. Ainda segundo a entidade, foi necessário reduzir a produção porque os estoques estavam altos.
"Em 2014 enfrentamos uma série de desafios, como a forte seletividade na concessão de crédito, feriados em razão de grandes eventos e cenário complexo no comércio exterior. Contudo, o segundo semestre já apresentou recuperação do licenciamento e produção. Para 2015 esperamos um primeiro semestre difícil, mas os ajustes promovidos nos levarão a um resultado equilibrado, no mínimo com desempenho igual a 2014", disse o presidente da Anfavea, Luiz Moan Yabiku Junior. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Sérgio Butka, foi procurado pela reportagem, mas não retornou até o fechamento desta edição.

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