Montadoras demitem 1.846 em fevereiro
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quinta-feira, 05 de março de 2015
Cleide Silva<br> Agência Estado 
São Paulo - Com produção em queda acentuada e estoques em níveis similares aos do final de 2008, no auge da crise financeira internacional, a indústria automobilística demitiu em fevereiro 1.846 trabalhadores. Nos dois primeiros meses do ano, já foram eliminadas 2,2 mil vagas. O setor emprega atualmente 142,3 mil pessoas, o menor contingente desde maio de 2011.
Apesar dos cortes e das várias medidas de redução da produção, como férias coletivas, folgas e lay-off (suspensão dos contratos de trabalho), fábricas e revendas têm atualmente 329 mil veículos em estoque, suficientes para 50 dias de vendas. A última vez que dados semelhantes foram registrados foi em novembro de 2008. O setor considera normal estoques para 25 a 30 dias.
A produção de veículos caiu 2,3% em fevereiro na comparação com janeiro e 28,9% em relação ao mesmo mês do ano passado. Foram fabricadas 200,1 mil unidades, o mais baixo volume desde fevereiro de 2009, segundo dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
No bimestre, a produção teve queda de 22% na comparação com igual período de 2014. "O resultado é reflexo do desempenho do mercado interno (que caiu 23,1% no período) e das exportações (com redução de 7,2%)", justifica o presidente da Anfavea, Luiz Moan.
O executivo credita o atual cenário a fatores como perda da confiança dos consumidores, medidas de ajuste econômico, efeitos da alta do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em janeiro, crédito escasso e mais caro, além do menor número de dias úteis em fevereiro, por causa do carnaval.
Com esse desempenho fraco no primeiro bimestre, no próximo mês a entidade vai refazer suas previsões para 2015. As apostas no início do ano eram de estagnação nas vendas e alta de 4% na produção e de 1% nas exportações. Segundo Moan, os novos números trarão significativa queda em todos os itens.
Apesar do corte de empregos, Moan diz que as montadoras têm feito grande esforço para preservar postos. Na próxima segunda-feira, por exemplo, a Fiat dará férias coletivas a 2 mil trabalhadores da fábrica de Betim (MG) por 20 dias e a GM iniciará novo programa de lay-off para 473 trabalhadores de São José dos Campos, segundo o sindicato dos metalúrgicos local. A empresa chegou a falar em dispensa de 650 a 800 trabalhadores.
Moan admite, contudo, que as empresas "têm um excedente de pessoal bastante forte".


