As montadoras apóiam a proposta do governo de reativação do programa do carro a álcool, mas preferem esperar que o governo transforme as declarações de intenções em lei para depois retomar a produção. ‘‘A volta do carro a álcool está nas mãos do governo, que precisa dar credibilidade a esse combustível’’, diz Miguel Jorge, vice-presidente da Volkswagen do Brasil. ‘‘O consumidor só voltará a comprar carro a álcool quando acreditar que o programa é sério.’’
Segundo dados da Anfavea (associação das montadoras) de janeiro a maio deste ano foram produzidos e vendidos apenas 298 veículos a álcool, 0% do mercado do ponto de vista estatístico. Os veículos a álcool chegaram a ter, em 1985, 84,8% das vendas.
‘‘A General Motors é favorável ao programa do carro a álcool, mas somente vamos reativar a produção quando o consumidor voltar a comprar’’, diz José Carlos Pinheiro Neto, diretor de Assuntos Corporativos da montadora. Ele define o programa do carro a álcool como o único programa ‘‘sério’’ de combustível alternativo existente no mundo.
Pinheiro Neto lembra que a tecnologia está disponível e que a produção pode voltar rapidamente, após decisão tomada. ‘‘Mas vamos primeiro esperar que o governo divulgue as novas regras.’’
O presidente da Comissão de Energia e Meio Ambiente da Anfavea, Henry Joseph Junior (que também preside a Associação Brasileira de Engenharia Automotiva), diz que, para ser competitivo, o preço do álcool combustível deveria ser entre 20% e 25% inferior ao da gasolina, porcentual que equivale ao gasto superior de combustível de um veículo movido a álcool. Hoje, a diferença média é de 18%.
Em relação à emissão de poluentes, não há diferença em termos de quantidade devido ao uso de catalisadores e injeção eletrônica nos carros novos. Mas em termos de qualidade, o hidrocarboneto emitido pelo álcool é menos agressivo ao meio ambiente, comparado ao da gasolina.
Ele acredita que o incentivo do governo para manter uma frota de carros a álcool garantiria a produção de cerca de 300 mil a 400 mil veículos por ano. Hoje, há cerca de 4,3 milhões de veículos a álcool rodando pelo País, de um total de 15 milhões.

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