Carmem Murara
As obras de infra-estrutura determinadas pelos governos federal, estadual e municipal sempre representaram a sustentação das empreiteiras e construtoras em todo o País. Mas, no Paraná, essas empresas viram o perfil de seus clientes mudar com a chegada das novas indústrias, principalmente as do setor automotivo. Diretores de algumas construturas como a Cesbe Engenharia e Empreendimentos afirmam que hoje a participação da iniciativa privada nos negócios das empreiteiras paranaenses representa 50%, contra 10% há dois anos.
A mudança no perfil dos clientes se deu por duas razões simultâneas. Em primeiro lugar os governos cortaram investimentos em todo o País e com o aumento da privatização em determinados setores, a participação do poder público se tornou menos presente. Em segundo lugar houve a industrialização de algumas regiões, o que obrigou as novas empresas a contratar os serviços das empreiteiras. ‘‘Foi aberto um novo filão para o nosso setor’’, diz o diretor presidente da Cesbe, Carlos de Loyola e Silva.
A Cesbe construiu 35% do total das obras executadas na fábrica da montadora Volkswagen/Audi. A construtora começou o trabalho com um contrato de R$ 8 milhões e encerrou os serviços com contratos aditivos que chegaram a R$ 80 milhões. Hoje, ela está prestes a encerrar o terceiro contrato firmado com a montadora, que já começou a produzir seus carros em São José dos Pinhais.
No auge dos trabalhos de construção da Audi, em julho do ano passado, a Cesbe chegou a ter 1.540 operários contratados para os canteiros de obras. Com o final das obras, tem hoje 700 funcionários.
Do trabalho feito para a Audi ficou o reconhecimento da qualidade da construtora, na avaliação da montadora. Entre 700 fornecedoras brasileiras e argentinas, a paranaense Cesbe foi colocada entre as 100 melhores em questão de qualidade. O prêmio Qualidade Volkswagen foi dado à empresa no final de maio, em Recife. ‘‘Este prêmio teve um efeito muito grande, pois envolveu todos nossos funcionários’’.
Com um faturamento de R$ 109 milhões no ano passado e com um lucro de 8% sobre o faturamento, a Cesbe comemora os resultados que vieram com a industrialização, mas a diretoria se preocupa com a atual situação da economia brasileira. Os novos contratos, neste ano, deram uma recuada em relação ao ano passado. ‘‘A crise econômica começa a se refletir no setor, diminuindo os novos contratos. Mas se houver o aquecimento na economia, sabemos que as indústrias que adiaram seus projetos vão retomá-los’’, aposta Loyola e Silva.Obras da iniciativa privada representam 50% do trabalho das empreiteiras no Paraná, tomando lugar das construções públicas
Arquivo FolhaCanteiro de obrasNo pico dos trabalhos de construção da Audi, em julho, a construtora Cesbe empregava 1.540 operários

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